1.300 DESLOCADOS NO TIGRAY MORRERAM DE FOME E SEM MEDICAMENTOS

Cerca de 1.300 pessoas morreram de fome e sem medicamentos em campos de deslocados no Tigray desde que a região etíope saiu, no final de 2022, de uma guerra, e a situação agrava-se, segundo fontes oficiais.

Nos últimos três anos, 1.309 pessoas morreram de fome e por falta de medicamentos nos campos de deslocados do Tigray”, declarou à agência France-Presse (AFP) Gebreselassie Tareke, diretor do gabinete de assuntos sociais do Tigray.

A situação se está a agravar, adiantou, referindo que a ajuda do Governo federal é insuficiente e que as ONG internacionais também estão a reduzir a sua ajuda.

“Muitas pessoas estão em perigo”, prosseguiu Tareke, precisando que os campos mais afetados se encontram em Shire e Hitsats, no norte da região.

O Tigray foi palco de um conflito entre novembro de 2020 e novembro de 2022 que opôs os rebeldes da Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF, na sigla em inglês), às forças federais apoiadas por milícias locais e pelo exército da Eritreia.

O conflito causou pelo menos 600.000 mortos, segundo uma estimativa da União Africana (UA).

Um acordo de paz pôs fim aos combates no final de 2022, mas cerca de um milhão de pessoas continuam deslocadas nesta região setentrional e vivem há vários anos em campos de refugiados.

As armas calaram-se durante mais de dois anos, mas eclodiram confrontos entre as forças federais e regionais em novembro de 2025 e janeiro de 2026.

As relações estão tensas entre as autoridades federais e as regionais, acusadas de se terem aproximado da vizinha Eritreia, com quem Adis Abeba mantém conflitos por causa do acesso ao mar.

Há vários meses que as autoridades federais cortaram os financiamentos concedidos à região.

Segundo Gebreselassie, a maioria das pessoas deslocadas provém do Tigray Ocidental, zona ocupada há vários anos por nacionalistas da região vizinha de Amhara, que reivindicam esses territórios.

Soldados eritreus continuam também presentes na região, em violação do acordo de paz.

Há várias semanas que tropas federais e forças do Tigray estão concentradas de ambos os lados das fronteiras da região, o que faz pairar o risco de um novo conflito.

Em fevereiro, Volker Türk, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, apelou a todas as partes para que procedessem a uma “desescalada”, “antes que seja tarde demais”.

Fonte: Notícias ao Minuto

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