Pelo menos 22 pessoas morreram na capital do estado de Plateau, no centro da Nigéria, em dois incidentes relacionados, começando com um tiroteio, noticia hoje a agência France-Presse (AFP) citando fontes locais.
O estado de Plateau é palco de violência recorrente nas suas zonas rurais, principalmente relacionada com conflitos fundiários entre agricultores e criadores de gado.
A capital, Jos, já conheceu episódios de violência no passado, mas os ataques mortíferos com numerosas vítimas na cidade têm sido raros nos últimos anos.
Pelo menos 12 pessoas foram mortas no domingo quando homens armados não identificados abriram fogo num bar-restaurante no bairro de Anguwan Rukuba, no distrito de Jos Norte, afirmou Nurudeen Hussaini Magaji, secretário da Cruz Vermelha do Estado de Plateau.
Três outras pessoas foram depois mortas quando uma multidão se formou para perseguir os assaltantes, adiantou Magaji, embora outros tenham avançado um balanço mais elevado.
“Os assaltantes abriram fogo num bar. Disseram-nos que 12 pessoas morreram no local”, declarou à AFP Mangalle Idris, um responsável da juventude local. Em seguida, formou-se uma multidão que matou 10 pessoas.
Kabiru Sani, vice-presidente do conselho do governo local do distrito norte de Jos, afirmou à AFP que, no total, entre o tiroteio e as represálias, 27 pessoas terão sido mortas.
Nas zonas rurais do estado de Plateau, os agricultores, na sua maioria cristãos, e os criadores de gado muçulmanos, na sua maioria fulani, enfrentam-se há anos por causa do acesso à terra, o que por vezes degenera em massacres em que aldeias inteiras são esvaziadas dos seus habitantes.
Como esta violência transcende as divisões étnicas, alguns — incluindo políticos na Nigéria e nos Estados Unidos — relacionaram estes assassinatos à motivação religiosa, uma perspetiva rejeitada pela maioria dos especialistas.
O governo estadual declarou que as investigações estão em curso, sem fornecer um balanço nem nomear suspeitos, e decretou um toque de recolher em Jos Norte de domingo até quarta-feira.
O Plateau já foi palco de violentos conflitos no passado, nomeadamente em 2001 e 2008. Mas os investigadores atribuem a crise atual, que afeta principalmente as zonas rurais, às alterações climáticas, à exploração mineira ilegal e ao crescimento demográfico que escasseia as terras disponíveis.
A impunidade de que gozam os autores de homicídios nas zonas rurais, negligenciadas pelo Estado, gera frequentemente represálias recorrentes.
As tensões são também alimentadas no estado do Plateau por políticos locais que exploram as sensibilidades em torno da questão de saber quais os grupos étnicos que são “autóctones”.
Fonte: Notícias ao Minuto // Redação Tiver