Mais de 70 profissionais de diferentes setores estão a ser capacitados para identificar e prevenir casos de mutilação genital feminina em Cabo Verde, uma prática que afeta anualmente cerca de quatro milhões de meninas e mulheres em todo o mundo. A formação visa dotar o país de mecanismos eficazes de resposta e proteção dos direitos humanos das vítimas de violência baseada no género.
A mutilação genital feminina, prática que atinge cerca de quatro milhões de meninas e mulheres todos os anos no mundo, é um flagelo que, tem vindo a emergir como uma realidade preocupante no país, impulsionada pela diversidade cultural e pela presença de comunidades imigrantes. Estudos da Universidade de Cabo Verde já confirmaram a existência de casos, embora o número exato permaneça desconhecido.
De acordo com a presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), têm sido desenvolvidos trabalhos junto de comunidades emigradas nas ilhas de Santiago e do Sal, com o objetivo de sensibilizar famílias para que filhas de imigrantes não sejam submetidas à mutilação, uma vez que se trata de um crime em Cabo Verde.
Por sua vez o Ministro da Saúde admitiu que, por ser uma prática estranha aos comportamentos culturais locais, o diagnóstico torna-se difícil, muitas vezes, só é possível identificar sinais durante o parto. Porém alertou para necessidade de unir esforços para evitar que essa prática se propague em Cabo Verde.
A formação representa um passo decisivo na resposta nacional à mutilação genital feminina, reforçando o compromisso do país com a defesa dos direitos humanos e a igualdade de género.
Redação Tiver