O presidente da UCID, João Santos Luís, assinalou, durante a sessão solene comemorativa do Dia da Liberdade e da Democracia, os 35 anos das primeiras eleições multipartidárias em Cabo Verde, considerando a data um divisor de águas na história política do país. O dirigente lembrou que o 13 de janeiro representa uma conquista coletiva do povo cabo-verdiano, construída com coragem, visão e maturidade política, permitindo ao país afirmar-se como Estado de direito democrático.
João Santos Luís destacou o papel histórico da UCID e de outros movimentos na luta pela independência nacional, sublinhando a ação da União Caboverdeana Independente e Democrática na defesa do pluralismo político durante os anos do regime do partido único.
Segundo ele, a UCID manteve uma oposição firme, mesmo em condições adversas, denunciando o modelo de governação e pressionando instituições internacionais.
O presidente da UCID recordou ainda a importância da queda do artigo 4.º da Constituição da República, a 19 de fevereiro de 1990, que abriu caminho à institucionalização do multipartidarismo e à disputa democrática do poder em Cabo Verde. Esta conquista, afirmou, é fruto da persistência de cidadãos e movimentos que nunca desistiram da liberdade, mesmo em contextos adversos.
Apesar das conquistas democráticas, João Santos Luís reconheceu que ainda persiste uma bipolarização político-partidária que limita uma afirmação democrática mais plena.
Sublinhou que a democracia não é apenas um conjunto de rituais ou fórmulas consagradas, mas um espaço que exige constante reflexão e coragem para ser repensada quando deixa de gerar esperança.
Ao longo dos últimos 35 anos, Cabo Verde construiu uma democracia estável, pacífica e respeitada, afirmou o presidente da UCID.
No entanto, alertou que esta democracia se organizou quase sempre em torno de maiorias absolutas, com forte concentração de poder e reduzido espaço para fiscalização legislativa, transformando muitas vezes o Parlamento num espaço de limitada intervenção política.
Redação Tiver