O primeiro-ministro do governo de transição na Guiné-Bissau afirmou que o opositor Domingos Simões Pereira continua detido por ordens da Justiça e não dos militares autores do golpe de Estado de Novembro passado.
A explicação consta de uma nota à imprensa do gabinete do primeiro-ministro guineense divulgada pela comunicação social local que explica que Ilídio Vieira Té fez estas considerações num encontro realizado “esta semana” com uma delegação de veteranos do PAIGC.
Simões Pereira é o presidente do histórico partido PAIGC e é considerado o principal líder da oposição ao regime do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló deposto no golpe militar em Novembro, que interrompeu o processo eleitoral para a escolha de novo Presidente da República e dos deputados à Assembleia Nacional Popular.
O líder e o PAIGC foram afastados das eleições gerais e apoiaram o candidato Fernando Dias, que reclamou vitória antes da divulgação dos resultados oficiais. Fernando Dias estará refugiado na embaixada da Nigéria em Bissau e Simões Pereira detido na Segunda Esquadra de Bissau, desde o dia do golpe de Estado.
Ilídio Vieira Té acrescentou que o Alto Comando Militar, que tomou o poder no golpe de Estado, ordenou a libertação de “todos os prisioneiros” que se encontravam sob a sua custódia.
Augusto Nasambé, um dos advogados do PAIGC também é dado como detido na Segunda Esquadra de Bissau, segundo fontes do PAIGC, nas redes sociais.
As mesmas fontes têm referido que outros dirigentes da coligação Plataforma Aliança Inclusiva, liderada pelo PAIGC, encontram-se refugiados “por temerem pela sua vida”, nomeadamente Agnelo Regala, Muniro Conté e Geraldo Martins.
O político e antigo ministro da Economia e Finanças, Victor Mandinga, da coligação Aliança Patriótico Inclusiva também é dado como refugiado desde o dia do golpe.
Na audiência com os veteranos do PAIGC, liderados pelo guerrilheiro Manuel dos Santos, conhecido como Manecas, o primeiro-ministro guineense apelou à serenidade e alertou sobre o “papel negativo das redes sociais” que, disse, criam divisão no país.
Fonte: Lusa