ASSOCIAÇÃO CABO-VERDIANA DE BROCKTON PEDE PLANO DE RETORNO DE EMIGRANTES NOS EUA

A Associação Cabo-verdiana de Brockton, nos Estados Unidos, defendeu esta terça-feira em declarações à Lusa que o Governo deve criar um plano para receber emigrantes que regressem daquele país, face às dificuldades que possam enfrentar.

Em causa, estão as políticas norte-americanas que têm reforçado restrições à mobilidade e à presença ilegal no país.

“O próprio Governo de Cabo Verde deveria já trabalhar num plano de prevenção. Como será o regresso das pessoas que, por infelicidade, não tiveram capacidade de construir nada [no arquipélago], como vão integrar-se social e economicamente?”, questionou o secretário executivo da associação, Carlos Silva, em declarações à Lusa.

Segundo Carlos Silva, há cabo-verdianos que residem nos Estados Unidos há mais de 30 anos e ainda não têm documentos, muitos deles já na terceira idade.

“Se acontecer alguma má sorte, se forem detidos, como vão conseguir chegar a Cabo Verde? Qual é o papel do Estado neste momento? Já preparou o regresso dessas pessoas”, perguntou.

O responsável explicou que a associação recebe, diariamente, entre 50 e 70 pessoas e a dúvida mais frequentes está em saber se poderão reentrar nos EUA após irem a Cabo Verde, mesmo com “green card” – o documento que permite a residência permanente e o trabalho legal nos Estados Unidos.

“Tivemos um caso de uma senhora que foi a Cabo Verde assistir ao funeral do irmão” e, no regresso, “foi impedida de entrar no país, mesmo vivendo nos EUA há quase 40 anos”, apontou, indicando que a associação tem estado sempre a alertar os cabo-verdianos para procurarem formas de investir no arquipélago de origem e preparar-se para novos desafios.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, José Luís Livramento, afirmou, a 15 de janeiro, que Cabo Verde está sempre preparado para acolher os seus cidadãos, após ser questionado pelos jornalistas.

A secretária de Estado das Comunidades de Cabo Verde, Vanusa Barbosa, concluiu recentemente uma visita aos Estados Unidos, procurando sensibilizar a diáspora para o cumprimento das regras norte-americanas para imigrantes, reconhecendo preocupações com as recentes limitações impostas pelo Governo de Donald Trump.

Durante a visita à região de Nova Inglaterra, no nordeste dos Estados Unidos, a governante indicou à Lusa que encontrou a comunidade cabo-verdiana “preocupada” e “apreensiva” e revelou ter mantido diálogo com o executivo norte-americano para ultrapassar os entraves à mobilidade.

O presidente Donald Trump prometeu a maior deportação em massa da história norte-americana e esse plano tem sido colocado em marcha, com enorme resistência nas ruas.

Desde há um ano, as operações do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) resultaram em mais de 605.000 deportações, segundo dados oficiais divulgados no final de dezembro.

O DHS indicou também que 1,9 milhões de imigrantes ilegais saíram do país voluntariamente desde que Trump tomou posse, num total superior a 2,5 milhões de pessoas a deixarem os Estados Unidos.

Desde quarta-feira passada, os Estados Unidos suspenderam a emissão de vistos para cabo-verdianos emigrarem para o país e para obter vistos de negócios ou turismo (vistos B1/B2) passa a ser necessário entregar uma caução que pode ir até 15.000 dólares.

Fonte: Expresso das Ilhas // Redação TIver

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