O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários pediu hoje 852 milhões de dólares para a Somália de forma a ajudar 2,4 milhões de pessoas. A Somália enfrenta em 2026 uma crise humanitária cada vez mais intensa devido à seca, ao conflito e ao surto de doenças.
Os efeitos combinados da grave seca, do conflito em curso e do rápido aumento dos preços dos alimentos – incluindo cereais e água importada – levaram a insegurança alimentar na Somália a níveis críticos.
A situação agravou-se após a ausência de chuvas de julho a setembro no norte, e a ausência de precipitação entre outubro a dezembro, em todo o país.
As regiões do norte suportaram uma quarta época de chuvas consecutiva falhada, com níveis de precipitação 60% abaixo da média, as condições mais secas registadas desde 1981.
O calor extremo acelerou a perda de água, deixando pastagens secas e poços de água esgotados, o que está a aumentar o custo deste bem e a agravar os riscos para a saúde pública.
A morte do gado e os deslocamentos pastorais generalizados evidenciam o colapso dos meios de subsistência tradicionais e a crescente vulnerabilidade da população, segundo a agência da ONU.
Entre outubro e dezembro de 2025, 4,4 milhões de pessoas entraram na fase 3 da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar – ferramenta que mede a gravidade das situações de segurança alimentar em cinco fases, da melhor para a pior -, incluindo 921.000 em situação de emergência.
Nesse contexto, o frágil sistema de saúde da Somália encontra-se sob “enorme pressão”, uma vez que o acesso deficiente à água potável e os deslocamentos provocados pela seca desencadearam uma nova vaga de doenças preveníveis através da vacinação, como a diarreia aguda por coronavírus, a cólera e outros surtos, que afetam muitas crianças que não recebem doses no país.
Por outro lado, o conflito “continua a ser um fator crítico das necessidades humanitárias na Somália, com combates entre clãs, ataques de retaliação e ofensivas militares” contra grupos extremistas islâmicos.
Fonte: Notícias ao Minuto