O Ministério da Saúde negou a existência de evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto ativo de shigelose em Cabo Verde. A posição surge na sequência de uma notícia publicada a 1 de fevereiro de 2026 por órgãos da mídia internacional sobre alegadas mortes de turistas britânicos por infeção no país.
Em comunicado, a tutela da Saúde considera a abordagem adotada pela referida notícia “grave, desproporcional e suscetível de induzir perceções alarmistas injustificadas” sobre o Serviço Nacional de Saúde e sobre Cabo Verde, sublinhando que o país é amplamente reconhecido pela sua estabilidade, segurança e progressos consistentes nos indicadores de saúde pública.
Segundo o Ministério, dados oficiais das autoridades sanitárias do Reino Unido indicam que as doenças infecciosas gastrointestinais, incluindo as associadas à bactéria Shigella, não figuram entre as causas relevantes de mortalidade, tratando-se de eventos raros e de baixa letalidade, geralmente associados a pessoas com vulnerabilidade clínica.
Os relatórios de vigilância britânicos não identificam Cabo Verde como origem relevante de casos importados recentes, esclarecendo ainda que a coincidência temporal entre viagem e doença não constitui, por si só, prova de causalidade. A determinação de um eventual nexo causal exige confirmação laboratorial, investigação ambiental e análise epidemiológica comparativa.
O Ministério da Saúde realça igualmente que Cabo Verde registou uma recuperação turística robusta no período pós-pandemia, ultrapassando um milhão de visitantes anuais, com o mercado britânico a representar uma das principais origens de turistas, sobretudo na ilha do Sal. Neste contexto, os episódios referidos são considerados residuais do ponto de vista estatístico, não evidenciando qualquer padrão epidemiológico sustentado.
A tutela esclarece ainda que se trata de processos de natureza jurídica dirigidos a entidades privadas e rejeita que alegações individuais, apresentadas em instâncias estrangeiras, sejam generalizadas ou utilizadas para colocar em causa o sistema de saúde nacional e a imagem do país.
Relativamente à cadeia hoteleira visada, o Ministério lembra que esta está obrigada ao cumprimento integral das normas sanitárias nacionais. Desde finais de 2025, os serviços competentes foram acionados para averiguação técnica, envolvendo a Rede Nacional de Laboratórios, os serviços de vigilância e segurança alimentar, a ERIS e a Inspeção-Geral das Atividades Económicas.
Por fim, o Ministério da Saúde reafirma que Cabo Verde dispõe de um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica sólido, reconhecido por parceiros internacionais, garantindo que continuará a atuar com rigor, transparência e responsabilidade técnica na defesa da credibilidade internacional do Serviço Nacional de Saúde e da reputação do país como destino seguro.
Fonte: MS // Redação Tiver