BRAVA: PAICV CRITICA VISITA GOVERNAMENTAL E FALA EM MANOBRA ELEITORAL

A Comissão Política Regional do PAICV na Brava criticou hoje a visita da comitiva governamental à ilha, considerando-a uma “manobra eleitoralista” e acusando o executivo de apresentar “declarações de intenções” sem garantias de financiamento.

Em conferência de imprensa, o presidente da estrutura regional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Carlinhos Martins, afirmou que a dimensão da delegação ministerial, liderada pelo primeiro-ministro, “não tem precedentes” ao longo da última década.

Para o PAICV, os protocolos e contratos-programa assinados entre o Governo e a Câmara Municipal da Brava são “vazios de conteúdo prático”, uma vez que, segundo Carlinhos Martins, não especificam verbas nem prazos de execução para os problemas que afectam a população.

“Ao longo de dois ciclos governativos, a ilha nunca recebeu mais do que um membro do Governo em simultâneo”, alegou o dirigente, para quem esta “descoberta tardia” da Brava, a poucos meses do escrutínio eleitoral, deve-se a “sinais desfavoráveis” nas sondagens.

O PAICV considera ainda que, nos últimos dez anos de governação do MpD, a única obra de relevo na ilha foi a estrada Fajã d’Água–Palhal, cuja construção só agora teve início, após um longo período de espera.

A estrutura partidária aponta igualmente a ausência de investimentos estruturantes, dificuldades persistentes no transporte marítimo e aéreo, insuficiências na área da saúde e a inexistência de verbas inscritas no actual Orçamento do Estado para a construção do prometido centro de saúde.

“A população bravense não se deixa enganar por migalhas em fim de ciclo”, afirmou Carlinhos Martins, reiterando que os habitantes da ilha exigem respeito, investimentos reais e soluções concretas para problemas antigos.

Entre as principais reivindicações apresentadas estão a melhoria dos transportes marítimos e aéreos, o reforço dos serviços de saúde com um centro de saúde devidamente equipado e funcional, bem como a implementação de projectos com financiamento assegurado e execução efectiva.

O PAICV concluiu assegurando que a população está atenta e determinada a não aceitar promessas eleitorais sem resultados práticos, defendendo que a ilha deve ser tratada como parte essencial do desenvolvimento de Cabo Verde.

A visita do primeiro-ministro à “ilha das flores”, que termina esta terça-feira, incluiu a assinatura de vários protocolos e o contacto com agentes económicos, tendo o chefe do Governo defendido, na ocasião, um “novo arranque” para a Brava através da união de esforços entre o sector público e privado.

Fonte: Inforpress // Redação Tiver

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