A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou oito eventos violentos nas duas últimas semanas, metade envolvendo extremistas do Estado Islâmico, provocando pelo menos 17 mortos, elevando para 6.449 os óbitos desde 2017.
de acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 26 de janeiro a 08 de fevereiro, dos 2.320 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.152 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.449 mortos, refere no novo balanço, incluindo as 17 vítimas reportadas neste período de duas semanas.
No relatório refere-se que neste período o Estado Islâmico de Moçambique (EIM) “entrou em confronto com as forças moçambicanas nos distritos de Mocímboa da Praia e Macomia”.
“No dia 30 de janeiro, uma patrulha naval confrontou-se com o EIM na ilha de Muissune, a mais de 20 quilómetros da costa do porto de Mocímboa da Praia. No dia seguinte, militantes do EIM lançaram ataques simultâneos contra duas posições militares moçambicanas na floresta de Catupa, alegando ter matado nove pessoas”, lê-se.
As forças de segurança moçambicanas, acrescenta a ACLED, insistem que, pelo menos, um dos ataques, no caso à base de Catupa, conforme noticiado pela Lusa na altura, “foi repelido e que as suas forças mataram cinco militantes”.
“O EIM está entrincheirado na floresta de Catupa desde 2022, apesar dos repetidos esforços das forças moçambicanas e ruandesas para os desalojar”, reconhece a organização.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou em 08 de dezembro, em entrevista à Lusa, não descartar uma solução pela via do diálogo para o terrorismo no norte do país, porque o que Moçambique quer “é a paz”.
“Vamos continuar a trabalhar e, havendo esta linha, esta possibilidade, não há problemas nenhuns que se encontre alguma solução. O que nós queremos é a paz para o povo moçambicano”, disse Chapo, no Porto, em entrevista à margem da cimeira com Portugal.
“O que nós queremos é a paz e Moçambique é uma nação com uma experiência extraordinária nesta área. Se se recordar, tivemos uma guerra [entre as forças governamentais e a guerrilha da Renamo] de desestabilização que durou cerca de 16 anos, matou mais de um milhão de pessoas, destruiu bens públicos e privados, mas acabou através do diálogo. Portanto, foi assim que houve a assinatura dos Acordos Gerais de Paz em Roma, a 04 de outubro de 1992”, acrescentou.
Fonte: Noticias ao Minuto