O relatório final do IPIAAM conclui que o afundamento do navio Nhô Padre Benjamim resultou de falhas técnicas e operacionais que comprometeram a estabilidade e a segurança da embarcação.
De acordo com o documento, divulgado esta quinta-feira, 26, pelo Instituto de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos e Marítimos (IPIAAM), o afundamento do navio “Nhô Padre Benjamim” ficou marcada por falhas ao nível da gestão da segurança, avaliação das condições de navegabilidade e cumprimento de procedimentos.
O relatório detalha que, antes do acidente, ocorrido no dia 14 de Abril de 2025, nas proximidades da localidade de Preguiça, na ilha de São Nicolau, foram registadas situações que afectaram a integridade da embarcação, incluindo questões relacionadas com a manutenção e com a operação em condições adversas, elementos que agravaram o risco durante a navegação.
O relatório conclui que o excessivo caimento a ré (calado de 2,5m à proa e 3,7m à popa), devido ao plano de carregamento inadequado e falta de estanqueidade da rampa, foram factores decisivos, facilitando a entrada de água no “car deck” via tampas de inspecção abertas ou mal vedadas, propagando-se à casa do leme e máquinas.
O relatório deixa claro ainda que tanto o armador quanto a tripulação do navio sabia que a embarcação tinha um problema não resolvido e de longa data, de estanqueidade na rampa de popa, ou seja, mesmo após passar por intervenções na doca seca em Dakar, Senegal, o problema persistiu e o navio metia água.
O instituto sublinha que o acidente não resultou de um único factor isolado, mas sim de uma cadeia de eventos e omissões que, acumuladas, criaram um cenário de elevado risco, apontando para insuficiências nos processos de fiscalização e controlo técnico da embarcação, existência de falhas na implementação efectiva do sistema de gestão de segurança a bordo e deficiências na cultura de segurança marítima, tanto ao nível do armador como das estruturas de supervisão.
O Instituto de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos e Marítimos recomenda ainda o reforço das inspecções técnicas periódicas às embarcações de transporte inter-ilhas, a melhoria dos mecanismos de controlo e fiscalização por parte das autoridades competentes e a revisão e fortalecimento dos sistemas de gestão de segurança das empresas armadoras.
O navio a motor Nhô Padre Benjamim, propriedade da companhia Verde Lines SA, afundou-se no dia 14 de Abril, por volta das 17:15, na baía da Preguiça, em São Nicolau, quando fazia a ligação Sal/São Nicolau, transportando britas e camião de entre outros materiais para as obras no aeródromo da Preguiça e da estrada que liga Juncalinho a Carriçal.
Em declarações à imprensa na época, o capitão do navio apontou a entrada de água pelo “car deck” do navio como a possível causa do seu afundamento.
O navio transportava 19 tripulantes e um passageiro que foram todos resgatados com vida.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver