O economista José Luís Neves defendeu hoje a realização de um fórum estratégico sobre a política externa e diplomacia de Cabo Verde, visando assegurar que o arquipélago mantenha o seu peso e influência num cenário internacional em mutação.
Em declarações à Inforpress, a propósito do impacto do conflito no Médio Oriente na economia nacional, o especialista defendeu que o país deve repensar o seu posicionamento externo perante a nova configuração da arquitetura global, sob pena de comprometer a sua relevância internacional.
José Luís Neves alertou para a transição de um sistema unipolar para um mundo multipolar, marcado pela fragmentação das cadeias de valor, o enfraquecimento das instituições multilaterais e a crescente competição entre grandes potências.
Para o antigo secretário-geral da Câmara de Comércio de Sotavento, a recente subida do preço do petróleo Brent, impulsionada pela instabilidade no Médio Oriente, poderá desencadear um “choque inflacionário” em Cabo Verde, devido à forte dependência das importações energéticas.
Neste particular, sublinhou a necessidade de os mecanismos de fixação de preços funcionarem como “amortecedores” para proteger os segmentos mais vulneráveis, salvaguardando, todavia, a sustentabilidade das finanças públicas e a estabilidade macroeconómica.
O economista advertiu que o país não pode continuar a responder a crises internacionais com soluções “ad-hoc”, como gabinetes de crise ou medidas de curto prazo, dada a elevada exposição de Cabo Verde a choques externos e vulnerabilidade energética estrutural.
“Cabo Verde deve adoptar estratégias estruturantes, baseadas no diálogo social e num compromisso alargado entre o sector público e privado”, defendeu, apontando desafios como as tensões geopolíticas, alterações climáticas, cibersegurança e a transição digital.
Em matéria de investimento, José Luís Neves admitiu que a volatilidade internacional torna os investidores mais cautelosos, mas considerou que Cabo Verde tem a oportunidade de se posicionar como um “destino seguro, previsível e sustentável” para atrair capital em áreas como as energias renováveis e a economia azul.
Quanto a eventuais novos subsídios aos combustíveis ou electricidade, o economista alertou para a “margem fiscal limitada” do Estado, defendendo que qualquer intervenção deve ser “prudente, temporária e focalizada”, de forma a não comprometer as metas de consolidação previstas no Orçamento do Estado de 2026.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver