SAL: TRABALHADORES DA ASA INICIAM GREVE COM ADESÃO TOTAL

Os trabalhadores da empresa de Aeroportos e Segurança Aérea (ASA), com excepção dos controladores de tráfego aéreo, iniciaram hoje uma greve de três dias, após o fracasso nas negociações com a administração.  O movimento conta com 100% de adesão nas áreas técnicas e operacionais, e as próprias chefias colocaram os cargos à disposição.

Em declarações à imprensa, o porta-voz dos trabalhadores, Rui Jesus, afirmou que a classe está “tranquila” por considerar que a luta é justa contra a “discriminação e injustiça laboral”. 

O representante desafiou a administração da ASA a apresentar publicamente os números e percentagens que justifiquem os seus comunicados, alegando que a realidade da empresa é marcada por desigualdades de tratamento.

“Estamos disponíveis para negociar, mas respeitando os princípios da justiça laboral e igualdade de tratamento”, sublinhou Rui Jesus, criticando a postura da empresa durante o processo de negociação do caderno reivindicativo.

Uma das maiores preocupações levantadas pelos grevistas prende-se com a segurança da navegação aérea.

Segundo Rui Jesus, todos os técnicos de telecomunicações aeronáuticas a nível nacional, responsáveis pelos equipamentos e sistemas essenciais, aderiram à paralisação.

“Neste momento, a sala de supervisão, onde monitorizamos o estado de todos os equipamentos, está vazia. Isso é gravíssimo”, alertou o porta-voz, questionando a capacidade de resposta da empresa. 

“Quem está responsável pelo serviço é um director que não entende nada daquilo. O plano de contingência, se existir, resume-se a rezar para que não haja avarias nos equipamentos”, alertou.

Os trabalhadores dirigiram um apelo directo à Agência de Aviação Civil (AAC), ao Governo e à Presidência da República, lembrando que a segurança operacional é uma responsabilidade do Estado de Cabo Verde.

A greve decorre sem o cumprimento de serviços mínimos acordados, uma vez que não houve entendimento entre o sindicato e a empresa durante as reuniões de mediação na Direcção Geral do Trabalho.

A presidente do Sindicato dos Transportes, Telecomunicações e Administração Pública (Sintcap), Maria de Brito, explicou que a proposta de serviços mínimos apresentada pela ASA era “inaceitável”, pois abrangia quase a totalidade das tarefas normais. 

“Não houve acordo nos serviços mínimos e não houve requisição civil. A responsabilidade agora é da empresa”, afirmou a sindicalista.

A presidente do Sintcap reiterou que o sindicato continua aberto ao diálogo, mesmo durante o período de greve, mas lamentou que a empresa não tenha demonstrado seriedade nas propostas apresentadas até ao momento.

A paralisação, que abrange trabalhadores na Praia, São Vicente, Boa Vista e Sal, deverá prolongar-se até quarta-feira, caso não haja uma aproximação de posições entre as partes.

Fonte: Inforpress // Redação tiver

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