Cabo Verde deu hoje um passo decisivo na introdução da plataforma “ePHEM” (Electronic Public Health Emergency Management) e modernização do seu sistema de vigilância epidemiológica, uma ferramenta para detectar precocemente surtos ou eventos de saúde pública.
A ferramenta electrónica, desenvolvida com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), visa, segundo a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) em declarações à imprensa, detectar rapidamente surtos ou eventos de saúde pública, permitindo uma resposta coordenada e imediata entre os sectores humano, animal e ambiental.
Com vista à socialização dessa plataforma digital, o INSP, juntamente com a OMS e o África CDC (Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças) implementaram, a partir de hoje, um workshop de dois dias, o primeiro sobre a plataforma na região, para acelerar a resposta a emergências sob a abordagem “Uma Só Saúde” (One Health).
“Quando se desencadeia a resposta rapidamente, as consequências são menores. Isso ajuda-nos a melhorar o nosso sistema nacional de vigilância e de saúde. O Centro Nacional de Operações de Emergências em Saúde Pública estará no circuito para apoiar as respostas ao nível dos serviços de saúde humana, animal e ambiental”, afirmou Maria da Luz Lima.
Diferente do sistema tradicional, que depende da recepção de dados estatísticos (vigilância baseada em indicadores), a plataforma “ePHEM” foca-se na vigilância baseada em eventos.
Segundo a presidente do INSP, qualquer sinal de anormalidade detectado na comunidade ou no ecossistema pode agora ser inserido no sistema em tempo real.
“Quando a resposta é célere, os impactos negativos são reduzidos”, explicou, a directora nacional da Saúde, Ângela Gomes, durante a cerimónia de abertura.
A responsável sublinhou que a plataforma permite que técnicos na periferia notifiquem eventos como casos de dengue, doenças diarreicas ou episódios de peste suína, para que o Centro Nacional de Operações de Emergência (CNOESP) receba o alerta e intervenha de imediato.
Ângela Gomes reiterou ainda o compromisso do país no reforço permanente do Sistema de Vigilância, destacando o papel crucial dos parceiros no desenvolvimento destes instrumentos.
A implementação desta ferramenta reforça a adesão de Cabo Verde à estratégia One Health.
A escolha de Cabo Verde, pelo África CDC, para acolher esta primeira sessão de treino foi destacada pelo representante Dennis Kibiye como um sinal de “credibilidade e capacidade instalada” no país.
Para Kibiye, a pandemia da covid-19 expôs falhas globais e o “ePHEM” surge como a solução tecnológica para colmatar lacunas na gestão de crises.
A plataforma destaca-se por facilitar a partilha de dados entre instituições, pelo baixo custo e por envolver a comunidade na identificação de incidentes.
Em Cabo Verde, a Instância Nacional de Coordenação no contexto da abordagem da saúde já existe desde 2017 (formalizada em 2019), trabalhando na resposta multissectorial aos desafios de saúde pública.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver