O Presidente da República destacou hoje o impacto da cooperação luso-africana na modernização do sistema de saúde e celebrou os progressos históricos do país, que passou de 13 para mais de 800 médicos desde a independência.
José Maria Neves, que falava na cerimónia de abertura da formação sobre “Orientações de Boas Práticas em Ensaios Clínicos (OMS) e Diretrizes de Boas Práticas Clínicas (ICH)-PALOP”, afirmou que a adoção das normas internacionais de boas práticas clínicas do Conselho Internacional para Harmonização (ICH) marca um novo capítulo para a ciência em Cabo Verde.
Segundo o chefe de Estado, este passo é decisivo para que o país acolha ensaios clínicos com padrões globais, garantindo a segurança dos participantes e a credibilidade dos resultados científicos.
Durante a sua intervenção, o Presidente da República traçou um retrato comparativo dos últimos 50 anos, evidenciando uma evolução “notável” no Sistema Nacional de Saúde.
Apontou a esperança de vida, que subiu de 56 anos (1975) para mais de 73 anos atualmente, e a mortalidade infantil, que reduziu de mais de 100 por mil nados vivos para menos de 20 por mil.
Referiu-se ainda aos recursos humanos, que na altura eram apenas 13 médicos na independência, o país conta hoje com mais de 800 profissionais.
Mencionou também a mortalidade materna, que caiu de 500 para menos de 80 por cada 100 mil nascimentos.
O chefe de Estado destacou o recente sucesso do primeiro transplante de rins realizado no país por uma equipa luso-cabo-verdiana, expressando o desejo de que este tipo de intervenção se torne rotina, reduzindo a dependência de evacuações para o exterior.
O evento serviu também para prestar um tributo ao Professor Doutor Fernando Regateiro, da Universidade de Coimbra, reconhecido como uma figura central no apoio a doentes cabo-verdianos em Portugal e um impulsionador da criação do primeiro mestrado integrado em Medicina em Cabo Verde, em 2015.
“Cabo Verde tem uma dívida de gratidão para com este grande homem”, afirmou José Maria Neves, lembrando o papel de Regateiro na coordenação das equipas de emergência durante a epidemia de dengue em 2009.
Apesar dos sucessos, o discurso apontou para a necessidade de resiliência face ao aumento de doenças crónicas, como a hipertensão e a diabetes.
A aposta na investigação clínica é vista como uma ferramenta indispensável para adaptar tratamentos à realidade local.
Neves apelou “a uma maior ousadia” na busca de novos modelos de atendimento e defendeu que o conhecimento produzido seja disponibilizado de forma transparente para apoiar a tomada de decisões políticas e clínicas.
A iniciativa, inserida no quadro da cooperação luso-africana através das diretrizes ICH-PALOP, foca-se na capacitação de profissionais e reguladores.
O objetivo é criar um sistema robusto de farmacovigilância e ética, essencial para que a inovação biomédica avance sem prescindir da transparência e da proteção da vida humana.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver