TRANSFORMAÇÃO DIGITAL COM RECURSO À IA PODE ACELERAR RESPOSTA DO ESTADO

O especialista João da Luz Rocha defendeu hoje que a transformação digital no país com recurso à inteligência artificial (IA), pode acelerar a resposta do Estado e aproximar os serviços públicos dos cidadãos, mas exige aposta nos cidadãos.

O responsável, que é também director Nacional da Modernização do Estado, falava à imprensa à margem da sexta edição do Fórum de Governação da Internet de Cabo Verde (IGF-CV), promovido pela Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME), que decorre entre hoje e quarta-feira na cidade da Praia.

Para o moderador do painel sobre transformação digital e serviços públicos inteligentes, a IA permite “simplificar processos, dar respostas mais rápidas e tornar o Estado mais próximo dos utentes”.

Contudo, João da Luz Rocha alertou que o sucesso desta modernização depende da capacidade dos cidadãos em lidar com as ferramentas digitais, sublinhando a importância do reforço da literacia digital no país.

Segundo explicou, Cabo Verde já dispõe de um estudo do Banco Mundial que avalia o nível de competências digitais da população, abrangendo empresas e diferentes camadas sociais, com o objectivo de orientar políticas públicas mais eficazes.

Outro desafio apontado prende-se com as infraestruturas, considerando que a expansão da rede de comunicações é essencial para garantir que todos os cidadãos tenham acesso à internet de qualidade.

“Não adianta termos estratégias e serviços baseados em inteligência artificial, se há cidadãos no país que ainda não têm acesso à internet de boa qualidade”, advertiu, defendendo uma visão integrada por parte do Estado.

No que toca à regulação, João da Luz Rocha notou que ainda não existe um consenso global, com Europa, China e Estados Unidos a seguirem modelos diferentes.

Considerou a tecnologia “disruptiva e impactante”, mas pediu cautela na implementação: “Na mesma dimensão que é benéfico, pode ser maléfico”, alertou, defendendo uma coordenação segura das respostas tecnológicas.

Para João da Luz Rocha, Cabo Verde encontra-se ainda num processo em curso, à semelhança de outros países, mas acredita nos avanços das directrizes.

O especialista admitiu que a aposta na IA deve começar por sectores estratégicos como a administração pública, escolas e comunidades, onde ainda se verificam limitações de competências, mesmo entre profissionais experientes.

“Esta matéria está em cima da mesa e creio que nos próximos tempos, não muito longo, deverá ter o seu avanço”, concluiu.

Fonte: Inforpress // Redação Tiver

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