O engenheiro-geólogo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa Paulo Sá Caetano recomendou hoje aos países, incluindo Cabo Verde e Portugal, que façam levantamento e avaliações de situações de instabilidade perante fenómenos naturais.
Em declaração à imprensa, na cidade da Praia, à margem de um ciclo de conferências sobre “Desenvolvimento sustentável e gestão territorial integrada”, realizada pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), engenheiro Paulo Sá Caetano mostrou a preocupação e urgência em se criar situações de avaliação de risco perante derrocadas, enchentes e outras situações de natureza.
Paulo Sá Caetano apresentou como exemplos a situação ocorrida no Algarve, em Portugal, em 2009, um desastre natural que matou cinco pessoas.
Esta mesma fonte referiu-se à situação ocorrida na ilha de São Vicente, com a passagem da tempestade Erin, no dia 11 de Agosto de 2025.
“Este evento de 2009 marcou, de facto, uma mudança de paradigma, mas de forma de pensar nestes assuntos, e desde aí, então, a Agência Portuguesa do Ambiente assumiu a responsabilidade de fazer levantamentos, avaliações de situações de instabilidade, avaliações de risco”, disse o conferencista.
Nestes casos, continuou, é preciso monitorar os riscos e como é que se pode mitigar ou reduzir os efeitos do risco destas situações.
“Preparar-nos a 100 por cento (%), ou seja, reduzir o risco a zero, talvez nunca. Porque há situações que nós não conseguimos controlar a 100%. E, portanto, o risco zero não existe”, indicou Sá Caetano.
No entanto, a mesma fonte disse que é preciso fazer estudos de avaliação, monitorização e identificar quais são os locais que de facto têm risco.
Da mesma forma, referiu que é preciso dar informação à comunidade através de uma corrente de ordenamento territorial, ou seja, se há zonas que não devem ser ocupadas, então que não sejam ocupadas.
“Se não tivermos lá pessoas, não há risco, porque ninguém fica exposto. Por outro lado, passar esta informação, do ponto de vista da informação científica, a toda a população, quanto mais conhecimentos tiver de substituições, melhor se preparar a si próprio, para encarar o risco”, finalizou o engenheiro-geólogo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver