O Banco de Cabo Verde (Banco de Cabo Verde) apresentou o Relatório de Política Monetária de abril de 2026, documento que traça a evolução da conjuntura económica e financeira do país e aponta para um abrandamento do crescimento económico nos próximos anos, num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e aumento da incerteza global.
Segundo o relatório, a economia cabo-verdiana cresceu 6,3 por cento em 2025, apesar do ambiente externo desfavorável. O crescimento foi condicionado pelo abrandamento da procura turística internacional e pela desaceleração de setores como alojamento, restauração e comércio. A inflação média anual aumentou para 2,3 por cento, influenciada sobretudo pela subida dos preços das importações, dos produtos alimentares e dos custos de transporte internacional.
As contas externas registaram uma evolução positiva em 2025, com a balança corrente a apresentar um excedente de 3,7 por cento do PIB, impulsionado pelas receitas do turismo, remessas dos emigrantes e transferências privadas. As reservas internacionais líquidas aumentaram para cerca de 1,1 mil milhões de euros, garantindo aproximadamente nove meses de importações.
Para 2026, o BCV prevê uma desaceleração do crescimento económico para 5 por cento, devido ao agravamento das tensões no Médio Oriente e à subida dos preços internacionais do petróleo, energia e bens alimentares. A inflação deverá aumentar para 2,7 por cento este ano, antes de reduzir para 1,8 por cento em 2027, acompanhando a esperada normalização dos preços internacionais.
Face ao atual enquadramento económico e financeiro, o Banco de Cabo Verde considera adequada a manutenção das taxas de juro de referência nos níveis atuais, reafirmando o compromisso com a estabilidade de preços, a solidez do sistema financeiro e a credibilidade do regime cambial.
Fonte: BCV // Redação tiver