O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse hoje que a cultura crioula representa “a prova viva de que a identidade não se reduz com a troca”, mas antes se enriquece.
António Guterres falava em vídeo no âmbito do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, que se realiza de hoje até sábado, 30, na Cidade da Praia, sob o lema “Edificar Pontes, Construir um Futuro Melhor”, iniciativa promovida pela Presidência da República de Cabo Verde em parceria com a Uni-CV.
Na sua intervenção, o secretário-geral da ONU considerou que a cultura crioula conta “a história da humanidade”, marcada por viagens, memórias, encontros entre povos e pela criatividade resiliência que nasce da mistura cultural.
“Num mundo demasiadas vezes dividido pelo medo e pela desconfiança, este encontro internacional da crioulidade brilha como um raio de luz, promovendo uma linguagem de encontro, dignidade e pertença”, enfatizou.
Segundo António Guterres, a diversidade não deve ser encarada como uma linha de separação, mas como uma oportunidade para construir laços mais fortes e reafirmar a humanidade comum.
Aquele responsável felicitou Cabo Verde por reunir vozes de diferentes horizontes num espírito de diálogo e celebração, destacando o papel do arquipélago como exemplo de como a cultura consegue “atravessar oceanos e unir povos”.
“Cabo Verde sabe bem como a cultura pode atravessar oceanos e unir povos, transportando ritmos, tradições e histórias que aproximam comunidades em todo o mundo”, salientou.
Por seu turno, o subsecretário-geral das Nações Unidas, alto representante para a Aliança das Civilizações das Nações Unidas e enviado especial das Nações Unidas para o Combate à Islamofobia, Miguel Moratinos, destacou a “importância histórica e simbólica” de Cabo Verde na promoção do diálogo intercultural.
Ao felicitar o país pelos 50 anos da independência, Miguel Moratinos considerou que Cabo Verde representa um exemplo de resiliência, abertura e compromisso com a diversidade cultural.
Quanto ao encontro, exortou os participantes a compreender melhor os processos históricos que moldaram as sociedades atlânticas, marcados por encontros culturais, intercâmbios e também adversidades.
O diplomata realçou ainda a contribuição de povos historicamente marginalizados para a construção das crioulidades atlânticas, considerando que dessas experiências nasceram novas identidades, formas de coexistência e universos culturais.
Para aquele responsável das Nações Unidas, as crioulidades atlânticas oferecem uma visão mais inclusiva da história, reconhecendo a dignidade, a criatividade e o poder transformador das diferentes comunidades.
O evento reúne académicos, artistas, pensadores, jovens e a diáspora.
Fonte: Inforpress //Redação Tiverc