Moradores da Achada de Santo António denunciaram hoje a paralisação de obras de reabilitação das suas habitações, alegando que os trabalhos foram iniciados há vários meses, mas permanecem inacabados, sem tectos e a céu aberto.
Numa ronda por um dos maiores bairros da Cidade da Praia, Achada de Santo António, Maria da Silva, nome fictício, disse que desde o mês de Dezembro foi orientada a deixar a residência de forma a permitir a execução das obras.
A execução, segundo explicou, era a princípio para colocar telhas, mas que pediu que fosse betão.
Desde então continua a suportar despesas com renda sem que os trabalhos tenham sido sequer iniciados.
A moradora garantiu que chegou a ligar várias vezes para os responsáveis, mas a explicação recebida foi de que houve necessidade de alterar o projecto inicial, que previa a colocação de telhas, para uma solução em betão, o que terá obrigado à reformulação dos planos de intervenção.
Maria da Silva indicou ainda que a sua família, composta por cerca de 15 pessoas, que inclusive morava na casa, continua a aguardar uma solução, esperando que seja resolvida até ao final deste mês.
Também Lúcia Monteiro manifestou preocupação com a interrupção da construção da sua habitação, avançado que recebeu uma primeira parcela financeira de 100 contos, além de blocos e cimento, mas que os materiais disponibilizados não são suficientes para concluir a obra.
Com o falecimento do filho, que a ajudava financeiramente, disse que não tem condições de continuar a obra, e que, actualmente, sobrevive de pequenos trabalhos.
Carlos Borges relatou que a cobertura da sua residência foi retirada em Fevereiro, na sequência da promessa de reabilitação da casa.
Passados cerca de quatro meses, avançou, os trabalhos encontram-se parados e os trabalhadores só vão à residência para recolher os materiais deixados ali.
“Tiraram as telhas para colocarem betão, fizeram os pilares, mas não colocaram as vigas. Foram embora e não deram mais nenhuma satisfação”, declarou.
O morador acrescentou que materiais como areia e cascalho permanecem no local sem utilização, enquanto a sua família, composta por cinco pessoas, foi obrigada a mudar-se para uma habitação provisória sem condições adequadas, logo em frente à obra.
Confrontada com as preocupações dos moradores, a Direcção-geral da Habitação, responsável pelo Programa de Regeneração do Habitat Praia (PRH) esclareceu que as intervenções integram um projecto financiado pelo Banco Mundial.
A mesma fonte indicou que de um total de 24 casas, várias obras já foram concluídas e os que faltam encontram-se ainda dentro do período previsto de seis meses.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver