PELO MENOS 28 MORTOS EM CABO DELGADO EM MAIO

A ONU estima que pelo menos 28 pessoas morreram e outras 49 foram raptadas no mês de maio em incursões terroristas na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, marcando a expansão do conflito para áreas anteriormente pouco afetadas.

De acordo com o último relatório de campo do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês), maio foi marcado pela expansão da atividade de Grupos Armados Não Estatais para áreas anteriormente menos afetadas de Cabo Delgado, incluindo o distrito de Namuno, que não registava ataques desde 2022, com confrontos armados e ataques direcionados contra civis a impulsionar a insegurança em várias áreas da província.

“A violência contra civis representou cerca de 70% dos incidentes registados, resultando na morte – incluindo alegadas decapitações – de 28 pessoas e no rapto de outras 49. Estes incidentes foram também acompanhados por saques generalizados de bens essenciais e destruição de habitações, agravando as condições de vida das populações afetadas”, refere-se no documento.

Segundo o OCHA, os incidentes de segurança aumentaram de 69 em abril para 73 em maio, com Chiúre a liderar a lista dos distritos mais afetados pelo conflito, com cerca de 17 incidentes, seguindo-se Macomia, com 17, e Mocímboa da Praia, com 10 incidentes. 

“Neste contexto, o acesso humanitário permaneceu limitado devido à insegurança, entraves burocráticos, limitações operacionais e crescentes desafios relacionados com a aceitação comunitária”, assinala aquela agência das Nações Unidas.

O OCHA avança ainda que a violência em Cabo Delgado, rica em gás, e alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, desencadeou o deslocamento de cerca de 16.260 pessoas nos distritos de Ancuabe, Chiúre e Nangade, “aumentando significativamente as necessidades humanitárias”.

Apesar disso, acrescenta-se, o deslocamento manteve-se relativamente localizado, sugerindo limitações de mobilidade e a adoção de estratégias de adaptação de curto prazo por parte das comunidades, com a insegurança a permanecer concentrada nos distritos classificados como em “severidade quatro”.

“Como medida preventiva, parceiros humanitários suspenderam temporariamente atividades em áreas com confrontos ativos, retomando as operações após a normalização das condições de segurança”, explica-se.

De acordo com o documento, o acesso humanitário foi também afetado por interferências na implementação de programas e preocupações com o desvio de assistência.

“No distrito de Mocímboa da Praia, atividades de Água, Saneamento e Higiene foram atrasadas após autoridades locais solicitarem a inclusão de reabilitação de fontes de água fora do escopo aprovado, adiando a assistência a cerca de 2.000 famílias”, descreve o OCHA.

A agência da ONU avança ainda que, no distrito de Quissanga, foi reportado um caso de apropriação indevida de ajuda destinada a populações vulneráveis e apesar da intervenção das autoridades locais, o incidente levantou preocupações quanto à transparência e integridade da assistência.

“A aceitação comunitária continua a ser um fator determinante para o acesso, mas tem vindo a deteriorar-se em contextos onde as comunidades percebem uma desconexão entre avaliações e assistência efetiva. Durante uma missão em Nanili, no distrito de Mocímboa da Praia, cerca de 130 agregados familiares deslocados relataram não ter recebido apoio desde setembro de 2025”, refere, alertando que a frustração com avaliações repetidas sem resposta concreta pode comprometer a confiança e a aceitação humanitária.

 A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) registou 11 eventos violentos nas duas primeiras semanas de junho na província moçambicana de Cabo Delgado, todos envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.632 o número de mortos desde 2017.

Fonte: Notícias ao Minuto

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