DESLOCADOS EM MOÇAMBIQUE ULTRAPASSAM 27 MIL EM MENOS DE DOIS MESES

Mais de 27 mil pessoas, incluindo 13.814 crianças, fugiram desde o início de maio dos ataques atribuídos a terroristas em Ancuabe, província moçambicana de Cabo Delgado, segundo novo balanço da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com o mais recente relatório daquela agência das Nações Unidas, divulgado hoje, ataques de grupos armados não estatais no distrito de Ancuabe desencadearam o deslocamento de 27.102 pessoas para várias aldeias e locais de acolhimento, dentro de Ancuabe e para os distritos vizinhos de Montepuez e Chiúre, no período de 01 de maio a 24 de junho.

Até 15 de junho, no balanço anterior da OIM, esse total ascendia a 23.235 deslocados, apenas naquele distrito, cuja sede dista cerca de 100 quilómetros de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, contra 21.658 até 10 de junho e 13.409 até 12 de maio, ainda neste ciclo de violência local.

Em menos de dois meses, segundo o relatório, os maiores deslocamentos, que totalizam o equivalente a 8.767 famílias, concentraram-se em áreas como Milamba Expansão, Nanjua A, Nanjua B e Mesa-Sede, que acolhem quase 11 mil pessoas, a maioria deslocadas de Nacoja, Namacuile, Minheuene, Nanjua e Mesa, entre outras localidades do mesmo distrito.

Entre os deslocados contam-se, de acordo com o mesmo levantamento, 7.662 mulheres, incluindo 208 grávidas, e 13.814 crianças, incluindo 12 não acompanhadas, além de 129 pessoas com deficiência e 538 acima dos 60 anos, com a OIM a manter “preocupação com os riscos significativos de separação familiar, violência de género, perda de documentos e sofrimento psicossocial”.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram, em 07 de maio, ataques em Cabo Delgado, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de “cristãos” e de mais de 200 casas, no distrito de Ancuabe.

Na reivindicação, através dos canais de propaganda, é referido que elementos daquele grupo “entraram em confronto” em Ancuabe, alegando terem atacado um “quartel” na aldeia de Nacoja: “Expulsaram os combatentes da aldeia, incendiaram uma igreja e cerca de 220 casas, além de várias lojas pertencentes aos cristãos”.

Um grupo atacou em 05 de maio a aldeia de Nacoja, o segundo em poucos dias no distrito de Ancuabe, disseram anteriormente à Lusa fontes da comunidade local. O ataque aconteceu a nove quilómetros de uma empresa de exploração mineira, o que obrigou à retirada de emergência do pessoal.

O ataque a Nacoja deu-se cinco dias após incursões dos rebeldes na aldeia de Minheuene, em Mazeze, onde destruíram a missão de São Luís de Monfort – construída em 1946 e símbolo da presença católica na região -, bem como dezenas de residências, raptando pelo menos 22 pessoas.

A organização ACLED registou 11 eventos violentos nas duas primeiras semanas de junho na província moçambicana de Cabo Delgado, todos envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.632 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 01 a 14 de junho, dos 2.408 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.224 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Fonte: Notícias ao Minuto   

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