O subempreiteiro Railton Fortes acusou hoje a empresa portuguesa Armando Cunha de incumprimento no pagamento dos serviços prestados e de manter “uma relação de abuso” com pequenos empreiteiros, situação que coloca em risco o pagamento dos trabalhadores.
Responsável pela empresa Railton Fortes Construções, que executa trabalhos desde 17 de Junho para a “Armando Cunha” nas obras de Santa Filomena e da Praça Nova, Railton Fortes explicou que, terminado o mês, foi informado de que o pagamento seria efectuado na última sexta-feira, 03, o que não aconteceu.
Após várias tentativas, sem sucesso, de obter esclarecimentos, decidiu deslocar-se hoje aos escritórios da empresa, acompanhado por dez trabalhadores sob a sua responsabilidade, para exigir o pagamento.
Perante a ausência de uma solução, chamou a imprensa.
Entretanto, já na presença de jornalistas da TCV e da Inforpress, uma responsável da empresa entregou-lhe dois cheques, numa altura em que, disse, já circulavam rumores de que tinha recebido o dinheiro e que estaria apenas a recusar-se a pagar aos seus trabalhadores.
“Sou uma empresa que está agora a despontar e quero tratar honestamente o meu pessoal. Estamos com um problema de trabalhadores aqui na terra, mas se continuarmos a trabalhar assim, como é que vai ser”, questionou.
Railton Fortes afirmou não querer ficar com a imagem de “bandido e ladrão” por causa do incumprimento de uma empresa de maior dimensão.
Mesmo depois de receber os cheques, explicou que decidiu falar à comunicação social para denunciar o que considera ser uma situação recorrente enfrentada por pequenos subempreiteiros que trabalham para a Armando Cunha.
“Uma pessoa trabalha um mês, uma semana ou quinzena e quer levar logo o seu dinheiro para casa. Eles nem sabem quais são as nossas condições”, afirmou, acrescentando que tem trabalhadores que compareceram ao serviço mesmo doentes para honrarem os seus compromissos.
Segundo denunciou, a empresa “não cumpre a sua palavra nem os compromissos” e apenas regulariza as situações quando os casos chegam à comunicação social.
“A empresa Armando Cunha tem fama de não querer pagar há muito tempo”, sustentou.
O subempreiteiro responsabilizou ainda o Governo por, alegadamente, adjudicar a maior parte das obras públicas a empresas estrangeiras, defendendo que as empresas nacionais deveriam ter mais oportunidades.
“É uma situação desagradável. Por isso muitas pessoas estão a emigrar por não encontrarem oportunidades na sua própria terra natal. Trabalho existe, o que falta é oportunidade”, afirmou.
Railton Fortes garantiu que não pretende continuar a trabalhar com a “Armando Cunha”, alegando que precisa de cumprir as suas responsabilidades perante os trabalhadores, as Finanças e a Previdência Social.
Contactada pela imprensa, a responsável da Armando Cunha, Doriane Rodrigues, recusou prestar declarações gravadas, mas, através de mensagens telefónicas, informou que o pagamento foi efectuado.
Acrescentou ainda que, de acordo com o contrato celebrado com o subempreiteiro, ficou estabelecido um prazo de até 15 dias para a liquidação dos valores, contado após o envio da factura.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver