O Banco de Leite Humano (BLH) assinalou hoje 15 anos de existência em Cabo Verde, destacando o seu impacto vital na sobrevivência de recém-nascidos prematuros e no reforço do aleitamento materno no país.
A efeméride foi assinalada no âmbito do primeiro Seminário do Aleitamento Materno do BLH, sob o lema “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona”, evento no qual a directora do Programa Nacional de Nutrição e Escolas Promotoras de Saúde, Irina Spencer, apresentou a comunicação “Políticas de Promoção, Protecção e Apoio da amamentação em Cabo Verde”.
Em declarações à imprensa, a responsável salientou que o leite doado reduz substancialmente o tempo de internamento dos bebés na neonatologia, apelando à continuidade das doações de leite e de frascos de vidro por parte da comunidade.
Referindo-se ao tema em análise, Irina Spencer afirmou que a disseminação activa de informação educativa para sensibilizar grávidas, mães e a sociedade sobre os benefícios da amamentação deve ser responsabilidade de todos, particularmente da comunicação social.
“O grande desafio reside na sustentabilidade e expansão destas acções. É fundamental dar continuidade ao trabalho árduo dos profissionais de saúde e ao envolvimento comunitário para manter as doações activas, assegurando que nenhum recém-nascido vulnerável fique sem acesso ao melhor alimento possível”, reforçou.
Irina Spencer destacou os avanços legislativos no país, com destaque para a revisão do Código Laboral, que alargou a licença de maternidade para 90 dias e a de paternidade para 10 dias, além de garantir duas horas diárias para amamentação no regresso ao trabalho.
“O panorama legal do aleitamento materno em Cabo Verde registou avanços significativos com a revisão laboral implementada em 2023. A mãe pode acumular as horas para sair mais cedo, dividir em dois períodos (uma hora de manhã e outra à tarde) ou amamentar no próprio posto de trabalho”, explicou.
Apontou também como ganhos, em termos de legislação, a abertura dos bancos de leite materno, que já beneficiaram mais de cinco mil recém-nascidos no país, o Código de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno (em vigor desde 2009) e a Iniciativa Hospitais Amigos da Criança (implementada desde a década de 90).
No país, o Hospital Baptista de Sousa (São Vicente) foi pioneiro, sendo acreditado em 1996. Seguiu-se o Hospital de Santo Antão, que renovou a sua acreditação em 2025, o Hospital da ilha do Sal, que recebeu o selo em 2024, e o Hospital de Santiago Norte, reavaliado em junho de 2026. Até ao momento, foram processados cerca de seis mil litros de leite materno no país e mais de 40 mil mães receberam atendimento individualizado ou em grupo.
Apesar de o stock actual gerido pela equipa do Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN) ser estável e ser suficiente para responder às necessidades imediatas, as autoridades de saúde reforçam o apelo de que a “doação contínua é vital”.
As comemorações do 15.º aniversário do BLH e da Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) decorreram sob o lema “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona”.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver