A ex-ministra e deputada nacional do MpD Janine Lélis anunciou hoje a desistência da corrida à Presidência da República, cerca de dois meses depois de ter anunciado a sua disponibilidade para ser candidata. A antiga dirigente do MpD aponta “constrangimentos” políticos, institucionais e partidários para justificar a retirada, num contexto marcado por uma crescente polarização do debate público.
A declaração assinada por Janine Lélis põe fim a uma pré-candidatura que tinha tornado pública em finais de Junho, em declarações ao Expresso das Ilhas.
No documento datado de 14 de Agosto, a deputada recorda que quando manifestou disponibilidade para a candidatura o fez convicta de que uma eleição presidencial deve oferecer aos cabo-verdianos “uma escolha efectiva entre diferentes perfis, percursos e visões” sobre o exercício da magistratura suprema do Estado. Nessa altura, sublinha, tudo apontava para a repetição do padrão segundo o qual não surgiria uma candidatura com suporte político alargado capaz de defrontar o Presidente da República incumbente, José Maria Neves.
A ex-governante explica que a sua disponibilidade surgiu depois de mais de vinte anos de percurso político, com passagem pelo poder local, mandatos como deputada da Nação e uma década como governante em várias pastas ministeriais, e com o objectivo de dar o seu contributo num processo que considera essencial para o país. Segundo a mesma, era fundamental que os cabo-verdianos pudessem avaliar o exercício do cargo presidencial e pronunciar-se sobre o perfil de quem deve assegurar o regular funcionamento das instituições e o cumprimento da Constituição.
Na declaração desta sexta-feira, Lélis reconhece que o cenário que encontrou em Junho se alterou. “Após o anúncio da minha candidatura, o quadro das eleições presidenciais evoluiu de forma significativa”, afirma, destacando o aparecimento de outras candidaturas, que considera “positivo”.
Ao mesmo tempo, porém, o quadro político sofreu mudanças substanciais, com tensões institucionais e no interior dos partidos, e uma polarização crescente do debate público, com reflexos no próprio eleitorado.
Foi este conjunto de “constrangimentos de natureza política, institucional e partidária”, que, segundo a antiga ministra, alterou de forma significativa as condições para uma participação presidencial “nos termos que considera adequados”, que a levou a não avançar para a disputa eleitoral de Novembro.
A declaração termina com a deputada a agradecer a quantos acreditaram na sua disponibilidade e nela viram um contributo válido para o fortalecimento da democracia cabo-verdiana, destacando a confiança, a generosidade e o apoio recebidos de cidadãos de diferentes sensibilidades e posições políticas.
Janine Lélis garante que a desistência não diminui o seu compromisso com Cabo Verde.
Fonte: Expresso das Ilhas // Redação Tiver