O ministro das Infra-estruturas, Habitação e Ordenamento do Território defendeu hoje a melhoria dos salários, das condições de trabalho e do pagamento atempado aos trabalhadores como medidas para reter mão de obra na construção civil.
Em declarações à imprensa, após a abertura do Conselho Sectorial de Validação das Qualificações Profissionais da Família Profissional de Construção e Obras Civis, o governante reconheceu que a retenção de mão de obra constitui um dos desafios do sector, numa altura em que muitos profissionais procuram oportunidades no estrangeiro.
“Temos, não só, de formar, mas também de melhorar as condições de trabalho, a questão salarial, para poder reter os jovens em Cabo Verde”, afirmou.
Carlos Alberto Tavares defendeu que as empresas devem assumir maior responsabilidade na valorização dos trabalhadores, considerando que os salários devem ser compatíveis com a dimensão dos projectos executados.
Segundo o ministro, o atraso no pagamento dos salários é outro factor que contribui para a desmotivação dos trabalhadores e pode influenciar a decisão de abandonar o sector ou procurar oportunidades fora do país.
“Quando não há pagamento adequado e, sobretudo, quando não há pagamento no tempo certo, há reclamações também de atraso de pagamento por parte das empreiteiras, isso acaba por desmotivar quem trabalha no sector da construção civil”, explicou.
Neste sentido apontou a necessidade de reforçar a fiscalização, não apenas no acompanhamento físico e financeiro das obras, mas também no cumprimento das obrigações laborais das empresas.
O governante defendeu uma reflexão mais ampla sobre o funcionamento do sector da construção civil, considerando necessário intervir em áreas como a fiscalização, a mobilização de meios, a organização das obras e o transporte de maquinaria entre as ilhas.
Questionado sobre o risco de os profissionais formados em Cabo Verde deixarem o país em busca de melhores oportunidades, Carlos Alberto Tavares reconheceu que a qualificação aumenta também as possibilidades de inserção no mercado internacional.
“Quando se forma as pessoas, as pessoas são formadas não só para o mercado cabo-verdiano, mas acabam, no fundo, por ser formadas para o mundo”, afirmou.
Para contrariar esta tendência, o ministro defendeu a criação de melhores condições económicas e profissionais no país, considerando que a questão salarial é um dos factores que influencia a decisão dos jovens de emigrar.
O coordenador da Unidade de Coordenação do Sistema Nacional de Qualificações (UC-SNQ), Amílcar Mendes, também apontou a questão salarial e o ambiente laboral como factores a considerar na retenção dos jovens.
Segundo Amílcar Mendes, embora a emigração resulte de vários factores, a remuneração constitui um dos elementos que influenciam a decisão dos jovens, pelo que é necessário criar condições favoráveis para o desenvolvimento das suas actividades profissionais em Cabo Verde.
“É preciso criar um conjunto de políticas que façam com que esses jovens realmente queiram ficar e dêem o seu contributo para o desenvolvimento de Cabo Verde”, defendeu.
INFORPRESS // REDAÇÃO TIVER