O recente aumento dos preços dos combustíveis deverá encarecer as operações no mar e refletir-se, consequentemente, no preço do pescado para o consumidor, alertou hoje o presidente da Associação dos Armadores de Pesca da Praia.
Segundo Samora Barros, embora as consequências do aumento “ainda não sejam sentidas” pelos armadores, por ter ocorrido há apenas dois ou três dias, o impacto “deverá fazer-se sentir brevemente” nas actividades do sector.
“Se fica mais caro ir ao mar, logicamente que o pescado irá ser mais caro”, afirmou, admitindo que uma das primeiras consequências será o aumento do preço do pescado para o consumidor.
Samora Barros fez estas considerações à Inforpress, a propósito do último aumento do preço dos combustíveis em Cabo Verde.
Face a esta situação, acrescentou, a Associação dos Armadores de Pesca da Praia está a trabalhar com o Governo na criação de um fundo destinado a apoiar o sector, uma proposta que, segundo Samora Barros, já vinha sendo discutida com o anterior executivo.
O dirigente explicou que o fundo deverá abranger duas áreas consideradas essenciais para a actividade pesqueira, combustível e gelo, contribuindo para reduzir os custos suportados pelos armadores.
Samora Barros revelou que a questão foi recentemente abordada num encontro com a ministra responsável pelo sector das Pescas, que, segundo o presidente da associação, se manifestou “totalmente a favor” da iniciativa.
“Ela prometeu que iria trabalhar nisso até ao final deste ano, para que se concretize esse projecto”, afirmou.
Para o presidente da associação, a concretização do fundo constituirá “uma boa solução” para aliviar os constrangimentos enfrentados pelos operadores e permitir uma maior sustentabilidade da actividade pesqueira em Cabo Verde.
Samora Barros enquadrou, entretanto, o aumento dos combustíveis num cenário de dificuldades que ultrapassa as fronteiras nacionais, considerando tratar-se de uma situação de dimensão mundial.
“Cabo Verde também está inserido nesse panorama global, onde teremos de trabalhar juntos para mitigar esses constrangimentos que se apresentam ao longo da vida”, sublinhou.
O responsável pediu, assim, uma resposta concertada entre os armadores e as autoridades, de modo a minimizar os efeitos do aumento dos custos de exploração sobre o sector das pescas e, em última instância, sobre os consumidores.
Inforpress // Redação Tiver