O Presidente da República, José Maria Neves, anunciou esta segunda-feira a sua candidatura a um segundo mandato à Presidência da República, defendendo que o próximo ciclo presidencial deve estar orientado para os desafios futuros do país e não para a repetição dos últimos cinco anos.
“Por isso, hoje, perante todos os Cabo-verdianos, nas ilhas e na diáspora, anuncio a minha candidatura a um segundo mandato como Presidente da República de Cabo Verde”, declarou José Maria Neves, no anúncio formal da candidatura.
O chefe de Estado afirmou que a decisão resulta da sua vontade de continuar a servir o país, mas também dos apelos que recebeu de cidadãos, organizações, partidos políticos e personalidades independentes para permanecer no mais alto cargo da República.
“Não vos peço apenas confiança em mim, peço-vos confiança em nós”, afirmou, apelando à mobilização dos cabo-verdianos em torno de um projecto nacional.
José Maria Neves apresentou o primeiro mandato como um período de trabalho, proximidade institucional e reforço da unidade nacional. Recordou a promessa feita em 2021 de “unir, cuidar e proteger Cabo Verde” e considerou ter cumprido esse compromisso.
Entre os aspectos que destacou estão a chamada “Presidência na Ilha e na Diáspora”, o diálogo com diferentes sectores da sociedade, a agenda ligada aos oceanos, a preservação do património natural e cultural africano e a realização do encontro internacional da Criolidade Atlântica.
O Presidente salientou também a estabilidade política e institucional durante o mandato, incluindo a realização de eleições autárquicas e legislativas e a alternância governativa.
Mas José Maria Neves reconheceu que o segundo mandato, caso seja eleito, não deverá limitar-se a dar continuidade ao trabalho realizado.
“Esta candidatura não é uma candidatura para repetir os últimos cinco anos. É uma candidatura para os próximos cinco anos”, afirmou.
Segundo o Presidente, o país enfrenta um contexto marcado pela inteligência artificial, pelas alterações climáticas, pela transição energética, pelo envelhecimento da população, pela saída de jovens e pelas desigualdades de oportunidades entre as ilhas.
Nesse sentido, defendeu a necessidade de antecipar transformações, aproximar gerações, promover a renovação e reforçar os consensos políticos necessários para acelerar reformas.
Suspensão imediata do mandato
Questionado sobre os passos seguintes ao anúncio da candidatura, José Maria Neves anunciou que vai suspender imediatamente o mandato presidencial, ao abrigo da legislação eleitoral.
“Suspendo imediatamente o mandato nos termos da lei eleitoral e a Presidente da Assembleia [Janira Hopffer Almada] assumirá imediatamente a presidência interina da República”, declarou.
O Presidente revelou ainda que já manteve contactos com vários partidos políticos, incluindo o PAICV, e com personalidades independentes.
A candidatura pretende, segundo afirmou, constituir “um grande movimento nacional”, capaz de mobilizar cabo-verdianos nas ilhas e na diáspora, independentemente das suas sensibilidades políticas ou opções partidárias.
“Temos de remar juntos, com todas as nossas forças”, afirmou José Maria Neves, apontando o dia 15 de Novembro como a data em que os cabo-verdianos poderão, nas suas palavras, “vencer em todos os campos da vida nacional”.
Durante a conferência de imprensa, o Presidente confirmou ainda Mário Lúcio Sousa como seu mandatário nacional. Indicou igualmente Lúcia Fortes como mandatária nacional para as mulheres e Viviane Brito como mandatária nacional para a juventude. Os mandatários para as diferentes ilhas e para a diáspora serão anunciados posteriormente.
Sobre os potenciais adversários, José Maria Neves afirmou que ainda não conhece oficialmente o conjunto de candidatos, uma vez que o prazo de apresentação das candidaturas ainda está a decorrer, mas garantiu respeito por todos os concorrentes e disponibilidade para dialogar e debater com todos “com muita elevação” e “muito respeito”.
O Presidente concluiu reafirmando que o objectivo da candidatura é colocar a experiência adquirida ao serviço do futuro de Cabo Verde, defendendo que “o melhor de Cabo Verde não ficou para trás”, mas “está diante de nós”.
Fonte: Expresso das Ilhas // Redação Tiver