A presidente da Associação Cabo-verdiana de Luta contra a VBG (ACLCVBG) defendeu hoje o reforço da intervenção nas comunidades, através da formação de mulheres líderes para prevenir a violência, orientar vítimas e divulgar os mecanismos de protecção.
Vicenta Fernandes fez esta afirmação à imprensa, à margem da cerimónia de abertura da terceira formação de empoderamento de mulheres líderes comunitárias em matéria de direitos e cidadania, promovida pela ACLCVBG, na cidade da Praia.
Segundo a responsável, a formação pretende dotar as participantes, provenientes de diferentes comunidades e com perfis profissionais diversos, de ferramentas para identificar situações de violência, apoiar e orientar vítimas e desenvolver acções de prevenção e sensibilização nos bairros.
“Essas mulheres, com a formação, vão criar ferramentas que lhes permitam apoiar, orientar as vítimas e também trabalhar na prevenção”, explicou, sublinhando que a intenção é transformar as participantes em multiplicadoras junto das suas comunidades.
Vicenta Fernandes revelou que a associação já dispõe de dois centros comunitários na cidade da Praia, instalados na sequência da primeira formação, nomeadamente na Calabaceira e no Eixo de Santo António, estruturas através das quais tem prestado atendimento e orientação a mulheres.
“Só de Janeiro para Julho de 2026, atendemos 26 mulheres vítimas de VBG”, afirmou, acrescentando que, no mesmo período, a organização alcançou mais de duas mil pessoas através de atendimentos, campanhas de sensibilização, mobilização e outros projectos comunitários.
A presidente da ACLCVBG considerou que estes dados demonstram a importância da intervenção de proximidade e defendeu que o combate à VBG não deve centrar-se apenas no atendimento às vítimas, mas também na prevenção e na consciencialização das comunidades.
Reconheceu, entretanto, que ainda existem situações de violência que não chegam às autoridades, apontando o medo, o silêncio e a dependência como factores que podem dificultar a denúncia.
“Já temos uma cultura de denúncia em Cabo Verde, mas ainda há pessoas que têm medo de denunciar, que ficam no silêncio, porque muitas vezes as coisas não funcionam rapidamente”, afirmou.
Neste sentido, defendeu maior divulgação dos mecanismos de protecção e apoio existentes, para que as vítimas e as comunidades conheçam os recursos disponíveis e saibam onde procurar ajuda.
A responsável defendeu ainda a multiplicação da formação de mulheres líderes pelas diferentes ilhas e concelhos, através do reforço das parcerias nacionais e internacionais, com o propósito de criar uma rede comunitária capaz de prestar informação, orientação e apoio às mulheres e famílias.
Por seu lado, a ministra da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social e Trabalho, Adelsia Almeida, considerou que a formação de mulheres multiplicadoras de cidadania constitui uma estratégia importante para reforçar a prevenção da VBG e aproximar as respostas das comunidades.
A governante salientou o papel das organizações da sociedade civil, por estarem próximas das famílias e das comunidades e terem condições para identificar problemas e realidades que nem sempre são imediatamente percebidos pelas equipas técnicas e pelas instituições do Estado.
“Por isso que esse programa de formação de mulheres multiplicadoras de cidadania tem uma importância grande”, afirmou, destacando a preparação das participantes para desenvolver um trabalho de proximidade nas comunidades.
A ministra sublinhou igualmente que o acompanhamento das vítimas deve ter em conta o contexto de cada situação, considerando factores como a dependência económica e emocional e questões culturais que podem dificultar a saída do ciclo de violência.
A terceira formação reúne mulheres líderes comunitárias de diferentes áreas, incluindo professoras e juristas, e visa reforçar a sua capacidade de intervenção na prevenção da VBG, através da realização de acções de sensibilização, palestras e campanhas nas comunidades.
Fonte: inforpress // Redação Tiver