Dezenas de passageiros da Cabo Verde Airlines (TACV) permaneceram retidos no Aeroporto Internacional Aristides Pereira, na ilha da Boa Vista, nas últimas 24 horas, na sequência de sucessivos cancelamentos de voos. Os passageiros denunciam falta de assistência, ausência de informações e desrespeito pelos seus direitos, relatando um cenário de indignação e desespero.
Num cenário de indignação e desespero no Aeroporto Internacional Aristides Pereira, alguns passageiros, nacionais, imigrantes e turistas, deram o seu testemunho sobre a situação, afirmando que se sentem tratados de forma desumana. Ingoni Sou, passageiro diabético que viajava para uma consulta médica em Dacar, no Senegal, relatou que estava sem comer desde o meio-dia.
O mesmo desabafou que teme pela sua vida caso a situação se agrave, lamentando o facto de os passageiros terem sido abandonados. O sentimento é partilhado por Inácio Pereira, pintor profissional, que vê o seu sustento em risco por não poder deslocar-se à capital. Segundo o mesmo, vários trabalhadores ficaram retidos no aeroporto, situação que poderá trazer prejuízos económicos.
Inácio Pereira afirmou ainda que os passageiros estavam sem alimentação e sem qualquer assistência, apesar de todos terem compromissos e despesas para cumprir.
O problema também atingiu o sector turístico e Carolina Troni, turista retida no aeroporto desde domingo, 25, contou que os passageiros foram mantidos em autocarros até às duas da manhã, momento em que foram informados de que não haveria hotel nem água para higiene.
A turista acrescentou que, após terem passado a noite no autocarro, as autoridades policiais foram chamadas para retirar os passageiros do aeroporto. António Pires, outro passageiro afectado, descreveu a situação como um ciclo de falsas esperanças, explicando que os atrasos eram comunicados de hora a hora apenas para manter as pessoas retidas no terminal.
Segundo o mesmo, os passageiros foram deixados à deriva por mais de 12 horas, sendo que a única solução apresentada foi a chamada da polícia para os retirar do local.
Segundo os passageiros, os funcionários da TACV abandonaram o aeroporto sem prestar qualquer esclarecimento ou garantir o transporte e alojamento, previstos na lei da Agência de Aviação Civil (AAC). A Inforpress tentou contactar os referidos funcionários da Cabo Verde Airlines na Boa Vista, através dos números disponibilizados, sem obter resposta, confirmando a queixa dos passageiros de que o número de apoio fornecido pela companhia se encontrava inactivo.
Os passageiros que não conseguiram viajar tiveram de abandonar o espaço do aeroporto, já em horário nocturno de encerramento, ficando por sua conta e sem assistência básica.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver