As monitoras dos jardins infantis da ilha Brava manifestaram o seu descontentamento em relação ao novo Plano de Cargos, Funções e Remunerações (PCFR), alegando que muitas não foram beneficiadas e questionam os critérios adotados.
Em declarações à comunicação social, as monitoras disseram sentir-se injustiçadas com a implementação do novo PCFR e denunciaram várias situações laborais que consideram precárias.
A professora do pré-escolar Cândida Correia afirmou que, apesar de ter sido enquadrada no novo PCFR, o seu salário continua abaixo do esperado.
Segundo a mesma fonte, a sua remuneração não ultrapassa os 19 mil escudos, valor correspondente ao salário mínimo nacional.
“Para mim, uma monitora deveria receber cerca de 37 mil escudos, mas nós não estamos sequer a receber o salário mínimo, mesmo com o novo PCFR. Gostaria de perguntar às autoridades, à autarquia e ao Governo se um enfermeiro e um médico recebem o mesmo vencimento”, questionou.
Nesse sentido, disse ainda que não tem nada contra as varredoras de ruas, mas afirmou que as monitoras estão a receber o mesmo salário, e algumas até menos, do que essa classe.
A docente sublinhou ainda a importância do papel desempenhado pelas monitoras nos jardins infantis.
“Nós somos mães, pais e encarregadas de educação das crianças enquanto estão no jardim, por isso penso que as autoridades deveriam ter mais atenção para com a nossa classe”, acrescentou.
Também a monitora Denise Semedo afirmou que não foi beneficiada com o novo PCFR, situação que, segundo disse, foi justificada pela autarquia com o facto de possuir um contrato precário ainda não regularizado.
“Entrei em 2023 e até ao momento continuo a trabalhar de forma precária, sem condições, sem seguro e sem receber o salário mínimo”, denunciou, acrescentando que existem outros funcionários na mesma situação.
Em nome do grupo, apelou à regularização dos contratos, sublinhando que desempenham as mesmas funções que os demais colegas.
Por sua vez, Helena Monteiro, que também é monitora e partilha da mesma opinião, referiu que, apesar de possuir formação pelo Instituto Pedagógico (IP), não foi enquadrada no novo PCFR e, atualmente, segundo afirmou, aufere uma remuneração de cerca de 14 mil escudos.
“É uma injustiça. Tenho formação e penso que deveriam analisar melhor a minha situação, uma vez que nem o salário mínimo recebo”, lamentou.
Segundo as monitoras, estas e outras situações explicam a insatisfação generalizada da classe na ilha Brava, que solicita uma resolução urgente dos seus casos.
A Inforpress tentou ouvir a reação do presidente da Câmara Municipal da Brava sobre o assunto, mas este informou que irá pronunciar-se posteriormente.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver