A capital cabo-verdiana acolheu hoje, no palácio da presidência da República, uma conferência internacional dedicada à construção do respeito e à prevenção de violações de direitos fundamentais e VBG.
O evento, enquadrado nas celebrações do 8 de Março (Dia Internacional da Mulher), surge de uma parceria estratégica entre a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), a Associação Cabo-verdiana de Luta contra a Violência do Género (ACLVBG), e a organização internacional Direitos Humanos e Tolerância da Itália.
Em declarações à imprensa à margem do encontro, a presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Eurídice Mascarenhas, afirmou que a escolha do tema reflecte uma visão inclusiva de que “falar de direitos da mulher é falar também de direitos humanos”.
“A conferência surge como resposta directa a um estudo recente sobre a percepção dos direitos em Cabo Verde e percebemos que é preciso reforçar a cidadania, o apoio à vítima e a proximidade com a população”, disse, alegando tratar-se de mais um desafio para o combate ao fenómeno cultural e o reforço da ideia tolerância Zero.
Embora tenham reconhecido os “grandes avanços” realizados pelo Estado de Cabo Verde, nesta matéria, destacou o persistente “desafio cultural” enfatizando que a evolução legislativa, por si só, não é suficiente para erradicar o machismo estrutural que ainda se manifesta em formas de violência física e verbal.
Para dar combate ao fenómeno avançou a necessidade de uma abordagem pedagógica contínua que deve iniciar-se no jardim de infância e seguir nos secundários e universidade, incluindo o combate à violência no namoro.
A presidente da ACLVBG, Vicenta Fernandes, ao usar da palavra, reforçou a ideia de que a violência de género é uma das piores violações dos direitos humanos, sublinhando que o momento é de união.
“Esta conferência serve para que nos unamos para acabar com este mal que existe no nosso país”, explicou, fazendo um apelo à responsabilidade governativa e civil, reiterando que só com o esforço conjunto de todos será possível combater uma situação que continua a afectar, gravemente, as mulheres e meninas no país.
A iniciativa visa promover o conhecimento e a compreensão dos direitos humanos fundamentais, destacar a educação como instrumento essencial de prevenção das violações dos direitos humanos, incentivar o diálogo construtivo e partilhar experiências internacionais e boas práticas no domínio da educação para os direitos humanos.
Está previsto, para às 12 horas, a assinatura de um protocolo tripartido entre a Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania, Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género e a organização internacional Direitos Humanos e Tolerância, da Itália.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver