O investigador em Segurança Pública José Rebelo defende que os dados divulgados sobre a criminalidade em Cabo Verde não traduzem a dimensão real do fenómeno. Para o docente universitário, a leitura oficial assenta em falhas de medição, fraca articulação institucional e uso político da estatística criminal.
O investigador José Rebelo considera que a criminalidade em Cabo Verde, analisada sobretudo a partir de dados da Polícia Nacional, não reflecte a realidade global do fenómeno. Em entrevista, afirmou que qualquer análise séria deve ter em conta a criminalidade efectivamente classificada, os mecanismos de medição existentes e as chamadas “cifras negras”, referentes aos crimes que nunca chegam a ser denunciados.
Segundo explicou, o discurso político tem confundido ocorrências policiais com criminalidade real, quando apenas o Ministério Público possui competência legal para classificar crimes. Rebelo destacou que, nos últimos anos, os dados do Ministério Público apontam para números muito superiores aos divulgados publicamente, revelando fragilidades metodológicas e uma tendência para a “normalização estatística” da criminalidade.
O especialista alertou ainda para os indicadores de violência, com destaque para os homicídios, referindo que houve períodos em que Cabo Verde registou taxas superiores a 15 homicídios por 100 mil habitantes. Para José Rebelo, o país precisa de políticas de segurança pública baseadas em evidência científica, maior articulação entre instituições e um sistema integrado de informação criminal, sob pena de continuar a gerir percepções em vez de realidades.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver