A Macau Legend garantiu hoje, que não desistiu do hotel-casino que a operadora deixou por acabar na Praia e que o Governo de Cabo Verde reaveu em janeiro. Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a empresa disse que está a ponderar “possíveis ações, sob assessoria jurídica”, face à perda da propriedade no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa.
A Macau Legend prometeu “implementar as medidas necessárias para salvaguardar os interesses da empresa e dos seus acionistas, incluindo a análise de todas as opções disponíveis para proteger a sua posição”.
O relatório financeiro referente a 2025 revela que a operadora reservou 32,4 milhões de dólares de Hong Kong (3,56 milhões de euros) para as despesas de uma eventual litigação em torno do projeto na capital cabo-verdiana.
Em 17 de janeiro, o Governo de Cabo Verde tomou posse dos bens e edifício do hotel-casino que a Macau Legend começou a construir na capital Praia, mas abandonou há anos.
Três dias depois, a empresa disse que as autoridades cabo-verdianas não tinham “qualquer fundamento legítimo” para reaver a propriedade.
Em março de 2025, a Macau Legend já tinha anunciado prejuízos de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong (5,44 milhões de euros) em 2024, em parte devido à ameaça de reversão do hotel-casino.
Em 04 de março passado, o Governo de Cabo Verde lançou um concurso de ideias para o espaço, aberto até meados de abril, sendo que as propostas que forem selecionadas serão objeto de consulta pública.
A Macau Legend confirmou hoje um prejuízo de 1,57 mil milhões de dólares de Hong Kong (172,5 milhões de euros) em 2025, mais do dobro do registado no ano anterior, devido ao encerramento do último ‘casino-satélite’ da operadora.
A operadora já tinha dito, na semana passada, que o prejuízo – o maior desde 2020, no pico da pandemia da covid-19 – se deve sobretudo a uma queda do valor contabilístico do empreendimento Doca dos Pescadores.
A Macau Legend justificou a diminuição de 1,18 mil milhões de dólares de Hong Kong (129,9 milhões de euros) com o encerramento, em 12 de novembro, do ‘casino-satélite’ Legend Palace.
Os ‘casinos-satélite’, sob a alçada de três das seis concessionárias oficiais, eram geridos por outras empresas, sendo uma herança da administração portuguesa e que já existia antes da liberalização do jogo no território, em 2002.
Dez dos 11 ‘casinos-satélite’ que ainda operavam em 2025 fecharam portas, enquanto a SJM adquiriu o Casino Royal Arc e obteve autorização do Governo para gerir diretamente o espaço.
A operadora admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em atividade” devido a dívidas totais de 2,7 mil milhões de dólares de Hong Kong (297 milhões de euros).
Em setembro, a empresa lançou um concurso público para a venda de um projeto imobiliário Ponto Legend, situado na vizinha Hengqin (ilha da Montanha), e que inclui uma praça ao ‘estilo manuelino’.
Fonte: Notícias ao Minuto // Redação tiver