ERIS ALERTA PARA RISCO RARO MAS GRAVE DE MIOCARDITE ASSOCIADA A MEDICAMENTOS

A Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS) alerta para o risco de miocardite associada ao uso de medicamentos, uma reacção adversa rara, mas relevante, que pode comprometer seriamente a função cardíaca e evoluir de forma rápida.

O alerta consta da 3.ª edição do Boletim de Farmacovigilância, referente ao período de Julho a Setembro de 2025, publicado no passado dia 2 de Fevereiro.

De acordo com o boletim, as reacções adversas graves e raras continuam a constituir um desafio significativo para a segurança do uso de medicamentos, exigindo atenção permanente por parte dos profissionais de saúde e dos sistemas de farmacovigilância.

No caso da miocardite associada a fármacos, o reconhecimento precoce é particularmente difícil, uma vez que os sintomas iniciais são frequentemente inespecíficos e facilmente confundidos com outras patologias.

O documento sublinha que a miocardite é uma inflamação do músculo cardíaco (miocárdio) que pode levar a insuficiência cardíaca, arritmias e, em situações extremas, à morte súbita.

Embora seja mais comummente associada a infecções virais, pode também surgir como reacção adversa à utilização de determinados medicamentos, o que torna essencial que esta possibilidade seja considerada no diagnóstico clínico.

Segundo a ERIS, os mecanismos da miocardite induzida por medicamentos são variados e complexos.

Em alguns casos, trata-se de uma reacção imunológica de hipersensibilidade, em que o sistema imunitário reage de forma exagerada ao fármaco, provocando inflamação do miocárdio.

Noutros, resulta de toxicidade directa sobre as células cardíacas ou de alterações metabólicas e hormonais induzidas pelo medicamento.

Diversas classes de fármacos já foram associadas a casos de miocardite. Entre os exemplos referidos no boletim encontram-se os antipsicóticos, como a clozapina e o haloperidol, geralmente implicados nas primeiras semanas de tratamento; os antineoplásicos, em particular as antraciclinas, cuja toxicidade cardíaca aumenta com doses cumulativas; as sulfonamidas, como o cotrimoxazol, associadas a reacções imunomediadas; e ainda alguns antivirais e imunomoduladores, que podem desencadear alterações metabólicas ou respostas imunitárias com impacto no coração.

A ERIS sinaliza que os sintomas da miocardite induzida por medicamentos são variáveis, podendo ir desde fadiga ligeira e mal-estar geral até dor no peito, palpitações, dispneia progressiva, síncope ou desmaios.

Estes sinais podem ser confundidos com infeções respiratórias, ansiedade ou outras doenças cardíacas, atrasando o diagnóstico e a intervenção.

O diagnóstico baseia-se numa avaliação da história clínica, com especial atenção à relação temporal entre o início do fármaco e o aparecimento dos sintomas, complementada por exames como electrocardiograma, ecocardiograma, doseamento de marcadores cardíacos e ressonância magnética cardíaca.

Em situações específicas, pode ser necessária a realização de biópsia cardíaca.

Quanto ao tratamento, o boletim refere que a suspensão imediata do medicamento suspeito é a primeira medida a adoptar. Em simultâneo, deve ser iniciado suporte cardiovascular e, consoante a gravidade, terapêutica anti-inflamatória ou imunossupressora, sempre ajustada às características do doente.

Fonte: Expresso das Ilhas // Redação Tiver

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