ESPECIALISTAS DEFENDEM ESTUDO DO QUOTIDIANO COLONIAL PARA COMPREENDER IMPACTOS DA REPRESSÃO

Especialistas internacionais defenderam, hoje, na cidade de Assomada, a necessidade de aprofundar o estudo do quotidiano no período colonial e compreender os mecanismos de controlo e repressão das populações.

Estas declarações foram feitas no âmbito do workshop “Ditadura, instituições e colonialismo”, promovido pela Unesco, no campus da Universidade de Cabo Verde, em Assomada.

Em declarações à imprensa, o professor da Universidade de Genebra, Alexander Keese, afirmou que o colonialismo português teve “impactos profundos” nas populações, marcados por discriminação e repressão, e defendeu a importância de analisar essas realidades para melhor compreender a complexidade histórica.

Segundo o académico, no caso de Cabo Verde, esses impactos incluem transformações no meio rural e os efeitos das fomes, elementos que ajudam a perceber as dinâmicas sociais do período.

O especialista salientou ainda que o estudo destes processos é “fundamental” para sensibilizar as sociedades sobre os riscos de soluções autoritárias e evitar a repetição de erros do passado.

Por sua vez, o investigador Pedro Cerdeira advogou que ainda há muito por investigar sobre o colonialismo, defendendo o reforço do diálogo científico entre investigadores de diferentes países.

Indicou que entre os temas em análise estão a Guerra Colonial, as estruturas de controlo do Estado Novo, como as Casas do Povo e os aldeamentos estratégicos, bem como as formas de reacção das populações.

O investigador sublinhou que iniciativas do género permitem aprofundar o conhecimento histórico e estimular novas abordagens sobre o passado colonial.

Fonte: Inforpress // Redação Tiver

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