Um horticultor da localidade de Fonte Aleixo, sul do município de Santa Catarina, denunciou a falta de água para rega há várias semanas e acusa a inoperância das entidades responsáveis na resolução do problema.
João Fernandes Gomes disse que desde 2009 que tem investido no sector de horticultura e a escassez de águas registada nas últimas semanas já provocou prejuízos significativos na sua produção agrícola.
Segundo o agricultor, o sistema de regadio foi instalado em 2009, no âmbito de um apoio concedido através da cooperação luxemburguesa e no início a sua parcela estava ligada à rede principal, mas posteriormente o Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) retirou essa ligação e construiu uma nova conduta, mais distante.
Desde então, explicou, os horticultores com parcelas posicionadas na parte superior da rede do MAA enfrentam dificuldades no acesso à água, há cerca de cinco anos.
João Fernandes afirmou que já contactou por duas vezes o presidente da Câmara de Santa Catarina, além do administrador-delegado da Empresa Intermunicipal de Águas, Águabrava, e apresentou vários requerimentos solicitando melhorias no sistema.
Recentemente, expôs novamente a situação ao titular da pasta da Agricultura durante uma formação em Cova Figueira, bem como ao delegado do MAA e ao presidente da câmara.
O ministro prometeu enviar técnicos para avaliar o caso, mas, até ao momento, ninguém apareceu na sua parcela.
O horticultor revelou que há três semanas não recebe “uma gota de água”, apesar de ter recebido uma comunicação da Águabrava de que o fornecimento passaria a ocorrer às terças, quintas e sábados, entre as 06:00 e as 09:00, mas enfatizou que na última terça-feira a água não chegou.
Com mais de uma centena de mangueiras plantadas, além de hortícolas e outras fruteiras como goiabeiras, papaeiras e bananeiras, João Fernandes diz que as culturas estão a secar.
“Oito canteiros permanecem sem cultivo para tentar salvar as fruteiras, mas mesmo assim não consigo evitar perdas”, disse o horticultor que questiona como vai pagar a água se não tem rendimento, e lembrou que já pagou mais de dois mil contos à Águabrava ao longo dos anos e que não possui dívidas.
Quatro agricultores integrados na mesma rede, enfrentam o mesmo problema há quatro ou cinco anos, tendo já perdido uma área significativa de fruteiras por falta de água, avançou João Fernandes que critica ainda a disparidade no sistema de contadores.
Segundo o mesmo, alguns horticultores dispõem de equipamentos com capacidade para sete toneladas de água, enquanto o seu permite apenas 2,2 metros cúbicos por hora, o que, associado à distância da conduta, reduz o caudal disponível.
“Há pessoas com água domiciliar com regadio e sem problema de água. Há disponibilidade de água, a lei de fornecimento que não existe”, disse o horticultor que avançou que por duas vezes foi convidado a instalar estufas, mas que recusou por falta de água.
Caso a situação não seja resolvida, o horticultor admite abandonar o viveiro e recorrer aos tribunais para exigir indemnização pelos prejuízos causados.
A tentativa para ouvir a delegação do MAA e a Águabrava não resultou mas uma fonte da empresa de abastecimento de água reconheceu que há algumas dificuldades em fornecer água aos horticultores de Santa Catarina.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver