A recente comunicação sobre a suspensão na concessão de vistos para emigrantes cabo-verdianos para Estados Unidos da América tem causado apreensão entre famílias, emigrantes e profissionais ligados ao processo migratório.
Embora o cenário ainda não esteja totalmente claro, o impacto emocional e social já é sentido na comunidade, sobretudo daqueles que aguardam pela obtenção de visto de emigrante para os Estados Unidos da América.
Este assunto foi tema de conversa nas diferentes ruas, cafés e serviços em São Filipe.
Para Fausto Rosário, que actua no apoio a emigrantes, nomeadamente, na tradução de documentos e marcação de vistos, esta não é a primeira vez que Cabo Verde enfrenta restrições à emigração para os EUA.
Historicamente, situações semelhantes ocorreram ainda no período colonial, após a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, mas explicou que o contexto actual é diferente e gera muitas dúvidas.
Segundo o mesmo, não está claro se se trata de uma suspensão definitiva de todos os processos ou apenas de uma formalização de práticas consulares que já vinham sendo aplicadas.
Fausto Rosário inclina-se para a segunda hipótese, lembrando que, nos últimos quatro anos, muitos pedidos de vistos, sobretudo de pessoas idosas ou com problemas de saúde, têm sido recusados por poderem representar um potencial encargo público para os Estados Unidos.
“Não é algo totalmente inédito, apenas tornou-se mais mediático”, afirma, lamentando, contudo, o impacto negativo sobre o sonho de muitas famílias cabo-verdianas de se reunirem ou de proporcionarem a pais e avós a oportunidade de conhecer a América.
O mesmo adiantou que na maioria das vezes, os peticionários têm condições socioeconómicas suficientes para cuidar dessas pessoas e não permitir que elas representem encargos públicos nos Estados Unidos.
“É necessário fazer uma ressalva: precisamos começar a cumprir as regras, sobretudo no que concerne a pedidos de emigração, mas também no que concerne aos pedidos de visto temporário, de férias”, disse e sublinhou que a medida tem impacto negativo porque haverá menos pessoas emigrando.
O ex-emigrante José da Rosa classifica a situação como “extremamente grave” e alerta que, a partir de 21 de Janeiro, o processo migratório poderá tornar-se ainda mais restritivo.
Para o mesmo, é fundamental agir com cautela e, sobretudo, investir na criação de oportunidades em Cabo Verde.
“Se houver emprego e rendimento no país, muitas pessoas podem viver melhor aqui do que no estrangeiro”, defende.
Já Paulo Dias, emigrante nos Estados Unidos, considera a medida um “duro golpe” para Cabo Verde, tendo em conta que a maioria das famílias tem laços fortes com a diáspora e apontou a necessidade de educar melhor as pessoas quanto ao uso correcto dos vistos, especialmente os de visitante, sublinhando que o incumprimento pode estar na origem das actuais restrições.
Apesar das incertezas, há consenso de que a medida poderá reduzir a emigração, com consequências económicas, emocionais e sociais significativas para Cabo Verde.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver