A presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) afirmou hoje que a instituição tem estado “a trabalhar amplamente” na prevenção de situações de abuso e violência sexual no seu todo, no país.
Zaida Freitas, que falava à imprensa na abertura do ateliê formativo sobre prevenção e combate à violência sexual contra crianças e adolescentes em contexto de viagem e turismo, sublinhou que a prevenção é um fenómeno complexo e têm de ser trabalhada conjuntamente e que o ICCA tem estado a “trabalhar todos os dias” neste aspecto.
Este ateliê é dirigido aos proprietários, gerentes, recepcionistas e atendentes de estabelecimentos turísticos da cidade da Praia, incluindo restaurantes, bares e unidades de atendimento ao público.
Zaida Freitas explicou que esta iniciativa visa fortalecer competências a esses profissionais para compreenderem melhor, identificar e agir perante situações de risco de abuso ou exploração sexual, promovendo uma cultura de tolerância zero e incentivando a criação de uma rede de protecção neste sector.
Realçou que o turismo é “extremamente importante” para o desenvolvimento económico e social do país, mas sublinhou que pode trazer também alguns riscos, sobretudo para os grupos que possam estar numa situação de maior vulnerabilidade.
“As crianças, por vezes e por várias razões, podem se encontrar nestas situações de vulnerabilidade. Por isso, queremos sensibilizar esses profissionais sobre denúncias e prevenção”, salientou.
Este evento visa, segundo a mesma fonte, esclarecer que cada turista que visite o país deve estar ciente de que em Cabo Verde “há regras e leis claras” sobre abuso e violência sexual, e que “não se tolera qualquer tipo de situação desta natureza”.
Para além da cidade da Praia, adiantou que o ICCA tem estado a fazer ao longo deste ano em outras ilhas do país sensibilização sobre este tema, nomeadamente aos taxistas e guias, entre outros profissionais que trabalham na área do turismo, para estarem mais atentos em caso de situações de abuso e violência sexual.
Neste momento, informou que o ICCA conta com 125 denúncias de abuso e violação sexual em todas as suas estruturas do país.
Quanto às denúncias, disse que muitas vezes as pessoas preferem não serem identificadas por várias razões, entretanto assegurou que há denúncia anónima que pode ser feita através da linha verde do ICCA.
Para a presidente do ICCA, a protecção é responsabilidade de todos, incluindo os ministérios, sociedade civil, família e os comités municipais, na tomada de medidas necessárias em situações que evidenciem ocorrências desta natureza.
O evento enquadra-se no Plano de Ação Nacional de Prevenção e Combate à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PANPCVSCA) 2025, desenvolvido pelo ICCA em parceria com o Unicef, e surge no âmbito do compromisso nacional de reforçar a proteção das crianças e adolescentes face às vulnerabilidades associadas ao crescimento do turismo em Cabo Verde.
O responsável do Restaurante Kebra Kabana, Zeca Barros, enalteceu a iniciativa do ICCA e afirmou que vai ajudar os profissionais do sector a identificar melhor situações de abuso e violência sexual e apoiar esta instituição a trabalhar na prevenção, já que “este flagelo é da responsabilidade de todos”.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver