O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) defendeu hoje o reforço da vigilância epidemiológica e das acções de prevenção face às Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN), apesar do reduzido número de casos registados em Cabo Verde.
A posição foi expressa pelo membro do Conselho Directivo do INSP, Hélio Rocha, na abertura da mesa-redonda que assinala o Dia Mundial da Luta contra as Doenças Tropicais Negligenciadas, realizada na cidade da Praia.
Segundo Hélio Rocha, as DTN afectam sobretudo populações vulneráveis e continuam a receber pouca atenção em termos de investimento, investigação e desenvolvimento de tratamentos, apesar do seu impacto na saúde pública.
Alertou que Cabo Verde não está isento dessas ameaças, devido à presença endémica do mosquito-vector em todas as ilhas habitadas.
O responsável destacou a dengue como um problema de saúde pública no país, recordando as epidemias de 2009 e do período 2023–2025, e advertiu para o risco potencial de introdução de outras arboviroses, como a zika e a chikungunya.
Defendeu uma abordagem proactiva assente no controlo integrado de vectores, vigilância epidemiológica e educação comunitária.
Hélio Rocha chamou ainda a atenção para a detecção recente dos primeiros casos de esquistossomose no norte da ilha de Santiago, considerando necessária uma investigação epidemiológica e ambiental aprofundada para avaliar a dimensão da transmissão.
Por sua vez, o técnico-investigador do INSP Wilson Correia alertou para a necessidade de reforçar os sistemas de diagnóstico e vigilância das DTN em Cabo Verde, apesar do reduzido número de casos registados no país.
Wilson Correia afirmou que a dengue é a principal Doença Tropical Negligenciada registada em Cabo Verde, havendo também casos antigos de lepra e a detecção recente de esquistossomose, em 2022, nos concelhos de Calheta e São Miguel.
Referiu que a ausência de registos de outras doenças pode estar ligada a limitações no diagnóstico, defendendo o reforço da vigilância e da capacitação técnica para prevenir a introdução de novos patógeneos.
O técnico-investigador referiu ainda que o relaxamento das medidas de prevenção aumenta o risco destas doenças, apelando à vigilância contínua e à colaboração da população.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver