O ministro da Saúde esclareceu hoje a actuação do Sistema Nacional de Saúde face à doença do memino Dário, negando falhas, e revelou actualizações na Lista Nacional de Medicamentos para garantir uma maior cobertura a doentes renais e oncológicos.
Em declarações à imprensa, à margem da cerimónia de comemoração do Dia Mundial da Saúde, Jorge Figueiredo garantiu que as autoridades estão a acompanhar o processo de perto, mantendo contacto com a unidade hospitalar no Senegal onde o menor foi submetido a uma cirurgia.
Questionado sobre as críticas à gestão do caso em solo nacional, Figueiredo foi taxativo: “não consideramos que tenha havido falha”.
“Cabo Verde seguiu todos os protocolos, incluindo a articulação com Portugal, tendo sido proposto a evacuação, que não se concretizou uma vez que o estudo conjunto indicou que, naquele momento, a evacuação poderia não ser necessária”, explicou, reforçando que o país cumpriu todas as etapas técnicas exigidas.
O governante apelou ainda a que o debate público seja pautado pelo rigor científico, lamentando a circulação de informações sem base técnica, o que considera que pode prejudicar a confiança no sistema.
Sobre a actualização da Lista Nacional de Medicamentos, afirmou que a mudança estratégica visa alargar “significativamente” o acesso a tratamentos que, até agora, eram assumidos exclusivamente pelo Estado.
“Os medicamentos oncológicos passarão a estar disponíveis no mercado nacional com comparticipação do INPS. Haverá também o alargamento do acesso a fármacos para hemodiálise e transplante renal”, anunciou.
Quanto à falta pontual de medicamentos para doentes com problemas de próstata na ilha de Santo Antão, o governante atribuiu a situação às dinâmicas de mercado e anunciou melhorias no sistema informático para monitorizar o stock em tempo real.
Em declarações à imprensa, abordou ainda o surto de um parasita (esquistossomose) em Calheta de São Miguel, tendo sublinhando que o caso está sob controlo, através de um trabalho conjunto entre os Ministérios da Saúde e da Agricultura para proteger a comunidade agrícola.
Numa reflexão final sobre a quebra de natalidade e o desinteresse dos jovens em constituir família, aquele responsável apontou que a situação contribui para uma crise no “conceito de família” a nível internacional.
Defendeu que o mundo precisa de recriar políticas que ofereçam estabilidade e confiança aos jovens para inverter a tendência de envelhecimento populacional.
O ministro concluiu apelando ao espírito crítico dos profissionais de saúde para que continuem a propor melhorias que consolidem o Sistema Nacional de Saúde.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver