MOÇAMBIQUE REGISTA MAIS DE 90 MORTOS DURANTE ÉPOCA CHUVOSA

Pelo menos 92 pessoas morreram, 86 ficaram feridas e milhares foram impactados durante a atual época de chuvas em Moçambique, segundo um novo relatório do instituto de gestão de desastres moçambicano.

De acordo com um relatório do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique, desde 01 de outubro – quando se iniciou a presente época de chuvas – até sexta-feira, ao todo 121.939 pessoas foram afetadas pelas chuvas no país.

Durante o mesmo período, além de 92 óbitos e 86 feridos, as autoridades contabilizam 13 unidades sanitárias, 40 casas de cultos, um sistema de abastecimento de água, 10 aquedutos e 518 quilómetros de estrada afetados.

Na área da educação e da energia no país, as chuvas tiveram um impacto direto em 123 escolas e 27 blocos administrativos – afetando 45.384 alunos e 738 professores, além de levar a queda de 86 postes e quebra de 11,3 quilómetros de linha de distribuição da corrente elétrica, de acordo com o INGD.

O documento referiu ainda que foram igualmente perdidos mais de 54 mil hectares de área agrícola, causando prejuízos a 5.698 agricultores.

Segundo informação avançada este domingo, a barragem moçambicana dos Pequenos Libombos – que fornece água à província de Maputo – vai aumentar a sua descarga a partir de hoje face às previsões que indicam persistência de chuvas fortes e a situação hidrológica no sul do país.

Num aviso, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, em coordenação com a Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul), alertou que será incrementada a descarga da barragem dos pequenos Libombos dos atuais 35 metros cúbicos para 50 metros cúbicos e depois para cerca de 120 metros cúbicos, na segunda-feira.

A decisão, que resulta das previsões meteorológicas que apontam para a persistência de chuvas fortes e a situação hidrológica prevalecente na região sul do país, “poderá resultar no galgamento da ponteca de Mazambanine que liga a Vila de Boane a Estação de Tratamento de Águas (ETA) do Umbelúzi, condicionando deste modo a sua travessia”. 

Ontem, as autoridades moçambicanas alertaram para risco moderado a alto da ocorrência de inundações urbanas e em rios no sul do país, face às previsões meteorológicas que apontam para chuvas fortes na região.

Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas do centro e do sul do país, com as autoridades a ativarem ações de antecipação às cheias e inundações nas regiões atingidas. 

O país africano enfrenta, ciclicamente, cheias e ciclones tropicais durante a época das chuvas, além de períodos prolongados de seca severa, sendo, por isso, considerado um dos mais afetados pelas alterações climáticas globais. 

Nas últimas chuvas, entre 2024-2025, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1.255 e afetaram mais de 1,8 milhões, indicou o Governo.

Já entre 2019 e 2023, os eventos extremos causaram pelo menos 1.016 mortos no país, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística moçambicano. 

Fonte: DW

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