O Grupo parlamentar do MpD alertou que o maior perigo para a Democracia começa quando se relativizam os sinais de ameaça e normalizam-se ataques às instituições da República. Numa declaração política o partido defendeu que não se pode permitir que o populismo, travestido “de falsa coragem e falsa proximidade, corroa o que tanto custou construir”.
“O 13 de Janeiro e ensinou-nos que não há liberdade sem o primado da lei. Que não há soberania popular sem instituições independentes. E que não há democracia quando se substituem regras por desmandos e instituições por vontades pessoais”, argumentou Emanuel Barbosa durante a sessão parlamentar que hoje termina.
De acordo com o mesmo, o PAICV adoptou, na sua estratégia política, “os traços clássicos da política da pós-verdade. Deliberadamente, subordina factos verificáveis a narrativas emocionais, suspeições infundadas e à repetição sistemática da desinformação”.
Para Emanuel Barbosa, o objetivo não é convencer pelo argumento, mas desgastar a confiança pública.
“É neste ambiente que o populismo floresce: simplifica problemas complexos, cria inimigos difusos, desacredita a Justiça, ataca a comunicação social e desvaloriza os símbolos da República, apresentando-se como intérprete exclusivo da vontade popular”, frisou.
Emanuel Barbosa, sublinhou que a pós-verdade “não é retórica excessiva nem espontaneidade política, mas sim um método consciente de erosão democrática”. Para o PAICV, referiu, isso significa “atacar persistentemente a nossa democracia, sempre que a verdade deixa de ser critério de acção pública”.
Conforme disse, não se podem aceitar insurreições contra o Estado de Direito Democrático, nem permitir que interesses pessoais se disfarcem de vontade popular.
Por isso, convocou os combatentes da liberdade e da democracia a se levantar e defender a Democracia, por meio de votos, e mobilizar a sociedade cabo-verdiana para formar uma frente ampla contra o chamou de populismo barato.
Segundo o este grupo parlamentar, tal como há 35 anos, Cabo Verde enfrenta uma escolha, não entre sistemas políticos, mas entre atitudes, “entre democracia autêntica e oportunismo”.
“O 13 de Janeiro é a negação do regresso a um passado de má memória, marcado por civis perseguidos injustamente, prisões por delitos de opinião e sem culpa formada, pela supressão das liberdades e dos direitos, e pelo subdesenvolvimento. É a negação firme da lógica do “partido-luz e guia” e daqueles que se consideravam os melhores filhos da pátria”, concluiu.
Na perspectiva do deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição) António Monteiro, o 13 de Janeiro significa recordar a história política do país, desde a independência até hoje.
António Monteiro lembrou algumas pessoas que se destacaram no processo da democratização de Cabo Verde que, salientou, três meses depois da independência do país iniciaram a construção de um partido democrático cristão, a UCID.
“A estes cabo-verdianos temos que lhes render a nossa singela homenagem”, apelou Monteiro, concluindo que esquecer estas pessoas seria uma “grande ingratidão”.
Fonte: Expresso das Ilhas // Redação Tiver