NÚMERO DE PESSOAS QUE SOFREM DE FOME DUPLICOU NUM ANO NA SOMÁLIA

O número de pessoas na Somália que enfrentam insegurança alimentar crítica quase duplicou no ano passado, atingindo os 6,5 milhões, alertaram especialistas da ONU.

Após duas épocas consecutivas de pouca chuva e cortes no orçamento da ajuda internacional, que já tinham reduzido o auxílio alimentar, a crise ganha contornos mais severos para a população da Somália..

A população classificada como estando em “crise ou pior” quase duplicou entre o início de 2025 e fevereiro/março deste ano, atingindo o número de 6,5 milhões de pessoas, de acordo com a Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), um organismo da ONU sediado em Roma que mede a fome e a subnutrição em todo o mundo.

Isto inclui mais de dois milhões de pessoas atualmente na Fase 4, a categoria “emergência”, um passo antes do nível “catastrófico”, equivalente à fome extrema.

“Esta deterioração alarmante deve-se ao agravamento da seca, ao aumento dos preços dos alimentos e à insegurança no centro, sul e em partes do norte da Somália”, refere-se no relatório da IPC, acrescentando que “a situação é agravada pela redução da ajuda humanitária”.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas alertou na sexta-feira que terá de terminar a ajuda humanitária à Somália até abril, caso não receba novos fundos.

A agência afirmou que já foi obrigada a reduzir a assistência alimentar de emergência de 2,2 milhões no início de 2025 para pouco mais de 600 mil pessoas atualmente.

“Isto significa que o PAM está atualmente a apoiar apenas uma em cada sete pessoas que necessitam de ajuda alimentar para sobreviver”, frisou.

Os programas de nutrição também foram drasticamente reduzidos, passando de quase 400 mil mulheres grávidas ou a amamentar e crianças pequenas apoiadas em outubro de 2025 para apenas 90 mil em dezembro.

“Sem financiamento imediato, o PAM será forçado a suspender a assistência humanitária até abril”, alertou.

O PAM necessita urgentemente de 95 milhões de dólares (cerca de 87 milhões de euros) para continuar a apoiar as pessoas mais afetadas pela insegurança alimentar na Somália entre março e agosto de 2026, concluiu.

Em janeiro, os Estados Unidos suspenderam a ajuda à Somália após a destruição de um armazém do PAM financiado pelos EUA no porto da capital, Mogadíscio, antes de a retomarem no final do mesmo mês.

Todas as agências da ONU, no entanto, alertaram para graves défices de financiamento desde que Washington começou a reduzir a ajuda após o regresso de Donald Trump ao poder no ano passado.

De acordo com o IPC, os níveis de subnutrição aguda na Somália aumentaram nos últimos dois anos.

Fonte: Inforpress // Redação Tiver

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