O PAICV acusou o Governo de priorizar números para impressionar organizações internacionais, esquecendo as necessidades da população. A UCID acrescentou que, fora dos relatórios oficiais, existe uma realidade que não pode ser maquiada. Já o MpD defendeu o balanço como muito positivo, afirmando que o país está hoje mais estável, credível e preparado para enfrentar o futuro.
Declarações feitas durante a segunda sessão plenária de Fevereiro, no debate sobre os dez anos de governação do MpD.
Na sua intervenção, o líder parlamentar do PAICV, Clóvis Silva recordou que o Executivo anunciara crescimento robusto a 7% ao ano, 45 mil empregos dignos, coesão territorial plena, modernização do Estado, eliminação da pobreza extrema, felicidade ao alcance de todos, afirmando que, passados dez anos, a realidade é distinta.
Segundo referiu, o crescimento médio entre 2016 e 2024 foi de 3,33% ao ano, longe dos 7% anunciados. Na sua leitura, o crescimento terá beneficiado uma minoria, enquanto a maioria enfrenta precariedade laboral e emigração.
“Com dois terços dos nossos jovens entre os 18 e os 35 anos a dizer que pensam em emigrar, um sinal claro de falência das políticas de emprego”.
O PAICV criticou igualmente a dependência do turismo, que se mantém em torno de 25% do PIB, descrevendo-o como enclave, sem integração produtiva, sem abastecimento local, sem cadeias de valor que beneficiem o país. Acrescentou que o sector primário foi relegado para segundo plano e que a insegurança tem aumentado.
“Dez anos depois, o povo sente-se decepcionado, Sr. PM, por um Governo cansado, esgotado e visivelmente sem forças para continuar. Este ciclo termina aqui e termina sem deixar quaisquer saudades”, declarou.
MpD
O líder parlamentar do MpD, Celso Ribeiro recordou que, quando o MpD assumiu funções em 2016, herdou uma situação extremamente delicada do ponto de vista económico, social e institucional, com crescimento inferior a 1%, desemprego elevado, dívida pública considerada insustentável e contas públicas desequilibradas.
O parlamentar citou ainda os choques enfrentados na última década como a pandemia de covid-19, secas severas, guerra na Ucrânia, crise logística e aumento dos preços internacionais, para sustentar que Cabo Verde conseguiu manter a estabilidade e a coesão social.
Entre os indicadores apontados, mencionou a melhoria do ‘rating’ pela Standard & Poor’s para B+, com perspectiva positiva, classificando-a como um sinal de credibilidade internacional que ajuda a baixar custos de financiamento e a atrair investimento.
Citou igualmente a avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que projecta um crescimento de 5,2% em 2025, após 7,2% em 2024, com inflação estável. Dados do Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde (INE) indicam, segundo avançou, um crescimento real do PIB de 7,3% no terceiro trimestre de 2025 e uma inflação anual de 2,3%.
“O país tem razão para continuar a acreditar e confiar no MpD liderado pelo Ulisses Correia e Silva”, disse. Entretanto, reconheceu, que persistem desafios, como desigualdades regionais e problemas de conectividade.
UCID
No arranque da sua intervenção, António Monteiro ressaltou que o país apresenta sinais positivos, referindo-se ao crescimento económico, ao aumento da taxa de emprego e à recente passagem de Cabo Verde ao patamar de rendimento médio alto, mas que a política séria não se faz apenas com números e títulos, mas sim com a vida concreta dos cidadãos e das famílias.
Como exemplo, apontou que o custo de vida continua pesado e que a pressão sobre o orçamento familiar é diária, cenário que, ao seu ver, coloca muitos jovens entre a precariedade, a informalidade e a falta de oportunidades.
“Ainda há demasiados cidadãos subutilizados, sem trabalho suficiente, sem estabilidade e sem perspectivas de progresso, o que acarreta uma drenagem de cérebro e músculos, deixando o país órfão desta mais-valia”, declarou.
António Monteiro questionou se o crescimento do país não estará concentrado em poucos sectores e em poucas ilhas, deixando o país a duas velocidades, solicitando repsostas sobre medidas concretas para proteger o poder de compra, como transformar o crescimento económico em trabalho estável, qualificado e bem remunerado e como garantir que o desenvolvimento não fique preso ao centro.
“O Cabo Verde merece menos propaganda e mais soluções, com dignidade humana, justiça social e instituições credíveis”, concluiu.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver