A presidente do ICIEG, Marisa Carvalho, disse hoje que as pessoas ainda tendem a ler o género como projectos que beneficiam especificamente a mulher e não homens e mulheres.
A presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) fez esta constatação, em declarações à Inforpress à margem do atelier técnico realizado para a validação e integração dos indicadores de género no Sistema Estatístico Nacional (SEN), quando questionada sobre os desafios do Orçamento do Estado com base no género.
“Nós temos estado, paulatinamente, todos os anos, a formar técnicos para que possam fazer a marcação correcta dos projectos que existem, relembrando que é um compromisso governamental que tem de se materializar em projectos, mas também em orçamento”, disse.
A presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), que admite haver existência dos marcadores de género, reconhece que não são feitas da forma como a instituição deseja, sustentando que ainda ficam “muito aquém do esperado”.
E para uma maior marcação, disse que o ICIEG tem estado a fazer o trabalho e a insistir, todos os anos, para que se faça a formação e também a orçamentação.
Neste processo, realçou o apoio dos parceiros internacionais que têm ajudado a instituição a complementar os financiamentos, particularmente nas necessidades do cumprimento do plano nacional de igualdade de género.
“A cooperação espanhola tem sido um parceiro inegável nesta questão de garantir a continuidade dos projectos. Marcamos aqui o arranque de um novo projecto que veio na continuidade de outro e para um período de 36 meses”, precisou, lembrando que os desafios do género mudam e que as dinâmicas sociais também se alteram.
Face ao problema, realçou que o ICIEG está sempre “atento e ciente” para fazer as devidas adaptações das políticas públicas, visando respostas concretas para a resolução dos problemas.
“E para isso é fundamental que as nossas estatísticas reflictam as experiências distintas de homens e mulheres, rapazes e raparigas, em cada esfera da vida social, económica e política. Nesse sentido, em colaboração com o Instituto Nacional de Estatística, temos vindo a reforçar a integração da perspectiva de género na produção e análise de dados estatísticos nacionais”, ressaltou.
Nesta linha de ideias reforçou a necessidade de uma actualização da matriz de indicadores para que o exercício se revele, acima de tudo, útil, visto que “o que não é medido não pode ser transformado”.
Admite ainda que se não houver recolha e análise de dados que revelem desigualdades de género, corre-se o risco de perpetuar injustiças silenciosas, invisíveis na superfície, mas profundamente enraizadas no quotidiano das pessoas.
Explicou, por outro lado, que integrar indicadores de género actualizados no sistema estatístico nacional é mais do que uma necessidade técnica, mas um acto de visão, coragem e compromisso.
O encontro de hoje tem como objectivo geral promover a análise, validação e consolidação técnica de um conjunto de indicadores de género, assegurando a sua coerência com normas internacionais e com os marcos estratégicos do país.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver