A Quercus Cabo Verde manifestou apoio à decisão do Governo de Cabo Verde de reverter o contrato de concessão do projeto do Djeu, considerando a medida um passo relevante na proteção ambiental e na defesa do interesse público. A organização entende que a decisão cria condições para uma valorização sustentável da orla marítima da cidade da Praia.
A Quercus felicita o Primeiro-Ministro pela posição assumida, destacando o compromisso de que qualquer futura intervenção na área deverá privilegiar materiais ambientalmente responsáveis, com ausência ou uso mínimo de betão, respeitando a paisagem natural, o ecossistema costeiro e o valor histórico do local.
A associação ambientalista lembra que, ao longo de vários anos, tem alertado para os impactos negativos resultantes do abandono da obra, entre os quais a acumulação de lixo atrás das vedações, a presença de resíduos sólidos em árvores e zonas florestais adjacentes, o arrastamento de detritos para o mar e a consequente degradação visual e ambiental de uma das áreas mais simbólicas da capital.
Segundo a Quercus, durante cerca de uma década, esta parte da orla marítima permaneceu degradada e inacessível, contrariando o princípio do uso público e responsável da costa enquanto bem comum. A organização sublinha ainda o elevado valor histórico, ambiental e simbólico do Djeu, associado à memória científica de Charles Darwin, defendendo que qualquer projeto futuro deve integrar ciência, educação ambiental, lazer sustentável e fruição pública.
Exorta o Governo a reforçar diálogo com as organizações não-governamentais ambientais desde a fase de conceção dos projetos e defende que grandes intervenções nas orlas e encostas marítimas sejam obrigatoriamente acompanhadas por Estudos de Impacte Ambiental robustos, transparentes e participados.
A associação reitera também a necessidade de assegurar que o desenvolvimento turístico e urbano não se faça à custa da degradação ambiental nem da privatização indevida do espaço público, considerando que a experiência do projeto Macau Legend não constituiu um exemplo positivo em termos de proteção ambiental e uso equilibrado da orla e do mar.
Para a Quercus Cabo Verde, a cessação do contrato representa uma oportunidade histórica para repensar o Djeu como um espaço ambientalmente sustentável, aberto à população, integrado na cidade e exemplar na relação entre desenvolvimento, natureza e património.
Fonte: Quercus CV // Redação Tiver