Munícipes da ilha do Sal manifestaram hoje diversas preocupações relacionadas com serviços públicos, segurança, mobilidade urbana, saneamento e apoio ao empreendedorismo jovem, durante a quinta sessão ordinária do oitavo mandato da Assembleia Municipal do Sal.
As intervenções decorreram no período reservado ao público, marcado por críticas à actuação municipal e apelos a soluções mais rápidas para problemas considerados estruturais.
O munícipe Lúcio Neves denunciou dificuldades enfrentadas na implementação de um projecto de parque urbano infantil apresentado à Câmara Municipal em 2019.
Segundo o mesmo, apesar da aceitação inicial da proposta, o processo administrativo revelou-se complexo e pouco favorável ao investimento privado, apontando cláusulas contratuais que, na sua opinião, inviabilizam o acesso a financiamento bancário e desmotivam iniciativas juvenis.
O interveniente defendeu maior apoio institucional aos jovens empreendedores, sublinhando que o projecto surgiu da inexistência de espaços recreativos adequados para crianças na ilha.
Também o munícipe José Paixão alertou para a necessidade da actualização das tarifas de táxi, referindo que o sector aguarda revisão há vários anos.
Na sua intervenção, chamou a atenção para problemas persistentes nos mercados municipais, nomeadamente, no mercado de Espargos, onde apontou deficiências nas infra-estruturas e falta de manutenção.
Entre as preocupações apresentadas esteve, igualmente, o funcionamento dos regulamentos municipais que, segundo afirmou, muitas vezes permanecem apenas “no papel”, defendendo maior fiscalização e acompanhamento do desenvolvimento urbano da ilha.
Nessa sessão, cidadãos residentes em Santa Maria destacaram problemas ligados ao turismo e qualidade urbana.
A cidadã Paola Mariani criticou a situação da rua pedonal daquela cidade, considerando que o espaço deveria representar um exemplo do destino turístico nacional, apontando desorganização, deficiências na limpeza urbana, queima de lixo, proliferação de mosquitos e falta de fiscalização.
Questões relacionadas com o sector dos transportes voltaram a ser abordadas por proprietários de táxi, que pediram “aprovação urgente” de novas tarifas, argumentando que os valores actuais não garantem sustentabilidade económica nem permitem a renovação das viaturas.
As preocupações sociais e comunitárias dominaram também as intervenções de jovens estudantes participantes.
A estudante Josimara Brito denunciou o encerramento nocturno do hospital de Santa Maria, a escassez de médicos, a ausência de parques infantis, problemas de saneamento a céu aberto e falhas na iluminação pública.
Outra jovem alertou para o aumento da criminalidade e do consumo de drogas entre menores, defendendo maior fiscalização e reforço da segurança pública, sobretudo durante a noite.
Uma outra estudante, do Complexo Educativo Manuel António Martins, apontou dificuldades no ambiente escolar, incluindo falta de acompanhamento pedagógico, ausência de biblioteca e insuficiência de controlo de segurança dentro da escola.
As intervenções evidenciaram preocupações transversais da população, com destaque para a saúde, educação, segurança, transportes, saneamento e ordenamento urbano, áreas nas quais os munícipes pediram respostas mais céleres das autoridades municipais.
A sessão prossegue com os trabalhos regimentais da Assembleia Municipal do Sal, sendo o primeiro ponto da ordem do dia, o relato das actividades da câmara municipal desde a última sessão ordinária e para o segundo ponto a Assembleia Municipal deverá apreciar o relatório de actividades da autarquia durante o ano de 2025.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver