Os eleitos municipais do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) insurgiram-se hoje contra o “silêncio” do Governo e das petrolíferas relativamente à falta de gás butano em São Vicente.
Em conferência de imprensa, o líder da bancada do PAICV na Assembleia Municipal, Nilton Silva, afirmou ter constatado, após percorrer todos os postos de venda das petrolíferas, que não há uma única botija de gás disponível em nenhuma das revendedoras.
“A falta de gás em São Vicente era algo que julgávamos ter sido ultrapassado. Era uma memória distante, associada a tempos difíceis, bem conhecidos por muitos cabo-verdianos, marcados por longas e humilhantes filas para conseguir uma botija de gás, ovos ou outros alimentos. Mas hoje, infelizmente, estamos a assistir a um retrocesso inaceitável, com a falta de muitos produtos, em especial o gás”, criticou.
Segundo o político, a situação de ruptura de stock de gás tem vindo a verificar-se há vários meses em todas as ilhas, muito antes do início da guerra no Médio Oriente, pelo que, afirmou, não aceita a velha desculpa do açambarcamento.
“Que medidas estão a ser tomadas para repor a normalidade? O que está o Governo a fazer para resolver este problema? O Governo de Cabo Verde, enquanto primeiro protector e provedor, deve envidar todas as démarches possíveis para que possamos ultrapassar esta situação”, afirmou.
Conforme Nilton Silva, há uma responsabilidade partilhada entre o Governo e as petrolíferas. Por isso, considerou que o Governo, como representante do povo, tem de exigir a reposição do stock e explicações às petrolíferas.
“Estamos a falar de um bem de primeira necessidade. Hoje não é aceitável que Cabo Verde esteja a passar por falta de gás.
Além da falta de gás, o eleito municipal também questionou a ruptura de stock de outros produtos de primeira necessidade em São Vicente, como sal, alho, cebola e batata comum.
“Será que é um problema de transporte? Será que é falta de capital para o comércio externo? Não sabemos. Não queremos especular, queremos que seja o Governo a dizer a verdade aos cabo-verdianos”, arrematou.
Fonte: Inforpress // Redação TIver