A directora do Serviço de Neurologia do HUAN destacou a importância do estudo epidemiológico internacional sobre alterações genéticas associadas à doença de Parkinson. Albertina Lima considerou que os resultados permitirão uma melhor orientação do tratamento dos doentes no país.
Albertina Lima, que falava à margem do arranque deste estudo, que decorre a partir de hoje no Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), na cidade da Praia, sublinhou que o conhecimento das características genéticas da população é fundamental para melhorar a abordagem terapêutica.
“Quando conhecemos a nossa característica genética, conseguimos orientar melhor o tratamento”, afirmou, avançando que o estudo decorrerá também nas ilhas de Santo Antão entre 30 e 31 de Março, e termina em São Vicente, nos dias 01 e 02 de Abril, contando com o apoio de quatro especialistas internacionais,
A especialista classificou ainda a cooperação internacional como de “extrema importância”, salientando que a iniciativa prevê a colaboração com especialistas estrangeiros, que irão avaliar doentes no país, bem como a formação de neurologistas cabo-verdianos em Portugal, com vista ao reforço de competências técnicas e científicas.
Relativamente à prevalência da doença, indicou que o serviço tem actualmente registados mais de uma centena de pacientes em acompanhamento, admitindo, no entanto, que o número real possa ser superior.
Segundo explicou, a doença afecta maioritariamente pessoas com mais de 60 anos e é mais frequente no sexo masculino.
A neurologista do HUAN alertou também para a existência de sintomas pré-motores, que podem surgir até 20 anos antes do diagnóstico, como a perda de olfato, distúrbios do sono e dores inespecíficas, recomendando às famílias que estejam atentas a esses sinais e procurem orientação médica mais cedo.
Quanto à capacidade de resposta, garantiu que o HUAN dispõe actualmente de cinco neurologistas e tem reforçado o atendimento através de teleconsultas, assegurando apoio a nível nacional e encaminhamento de casos que necessitem de avaliação especializada.
Em representação da equipa de neurologistas internacionais, o subdirector da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e director do Serviço de Neurologia da Unidade de Saúde de Santa Maria, Joaquim Ferreira, afirmou que a cooperação entre as instituições portuguesas e cabo-verdianas visa melhorar os cuidados prestados aos doentes.
O responsável destacou que estudos recentes indicam que a doença de Parkinson não é rara em Cabo Verde, apresentando desafios semelhantes aos verificados em Portugal, Europa e em outros países do mundo.
Nesse sentido, considerou “essencial caracterizar melhor os doentes” no país, incluindo a realização de estudos genéticos.
Segundo Joaquim Ferreira, os resultados deste estudo poderão não só melhorar o tratamento dos doentes em Cabo Verde, como também contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos com impacto a nível global.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver